sexta, 26 de abril de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Espiral

Publicado em 24/01/2019 00h11

Caro leitor, idianamente somos munidos de expectativas boas e ruins dependendo da situação. As expectativas, de certo modo, são o que acaba nos influenciando quanto as decisões rotineiras que precisamos tomar. Em suma, tudo o que fazemos, é fruto de algum tipo de expectativa e por que não, de algum planejamento? Conforme já abordado aqui em outras oportunidades, a vida é feita de ciclos e a cada novo ciclo novas perspectivas são geradas, sendo mais comum a geração de boas expectativas sobre o novo ciclo que se inicia. No entanto, os resultados desejados, por tanto, frutos de uma determinada expectativa, não são necessariamente lineares. Em verdade, o caminho entre o início e o término de cada ciclo costuma ser uma forte espiral (de emoções e ações), numa rotineira variação entre altos e baixos. Esta espiral é o que, no fim das contas, nos ensina e permite o amadurecimento.     

Lidar com as diferenças e adversidades da vida é algo trivial para o simples ato de estarmos vivos, no entanto, parece ser muito comum a fuga desta realidade. Se traçarmos um paralelo entre nossas vidas reais e nossas vidas virtuais, perceberemos o quão comum é mascararmos nossos problemas e frustações, vivendo uma vida de ilusões em universo paralelo. No ambiente virtual, ao contrário da vida real, temos o ‘poder’ de controlar o que vivemos, ou o que queremos que as pessoas achem que vivemos. É literalmente uma vida paralela. Talvez a fuga de nossa realidade, e aí prefiro ficar apenas no campo da especulação, possa estar contribuindo para uma geração de jovens adultos frustrados e com dificuldades em lidar com as adversidades da vida. 

Quantas postagens vemos diariamente nas redes sociais, representando a felicidade plena por uma conquista, ou fotos de uma viagem, ou a aquisição do primeiro veículo, etc., mas o que realmente não nos é apresentado são as dificuldades para que cada elemento destes fosse conquistado. Por exemplo, não nos é compartilhado as várias noites passadas em claro decorrentes de estudos para conseguir formar-se; assim como não nos são compartilhadas as diversas privações para se conseguir juntar recursos financeiros para a viagem ou a compra do carro. Resolvemos pular a demonstração das etapas de sacrifícios e privações, passando diretamente para a apresentação dos resultados. Por que?   

Ao agirmos assim, ignoramos a parte mais importante de todo o processo, ou seja, ignoramos a caminhada. Ignoramos justamente as espirais de emoções, ações e aprendizados. Como na vida não existem manuais, ignorar as espirais na trajetória é o mesmo que jogar fora as memórias cognitivas e sensações. Vivenciar este espiral de emoções é a grande curtida. Viver a vida real, mesmo sem os likes ou curtidas da vida virtual, é que nos faz ser quem realmente somos. Nossas experiências são demasiadamente ricas para serem simplesmente ignoradas. Viver uma vida “sem problemas e frustações” talvez não seja tão glamurosa quanto pareça, afinal, entre o início e o fim de qualquer trajetória, existe o meio. Se ignorarmos o meio, nos restará apenas o vazio. Reflitamos, e assim a vida segue.


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