sexta, 22 de fevereiro de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

A era Jetsons

Publicado em 10/01/2019 00h41

"Perdemos tempo demais com assuntos banais”

Caro leitor, você se recorda do desenho The Jetsons? Originalmente lançada nos anos 1960, mais tarde a série foi relançada com novos episódios, produzidos entre 1984 e 1987, como parte do programa The Funtastic World of Hanna-Barbera. Tendo como tema a “Era Espacial”, a série introduziu no imaginário da maioria das pessoas o que seria o futuro da humanidade: carros voadores, cidades suspensas, trabalho automatizado, toda sorte de aparelhos eletrodomésticos e de entretenimento, robôs como criados, e tudo que dá para se imaginar do futuro. Eis que chegamos a era Jetsons. Lógico que muito do que era previsto pela série ainda não se concretizou, mas estamos no caminho. Ainda não temos carros voadores (ao menos em escala comercial) ou robôs criados, mas o trabalho automatizado já é realidade, assim como comunicações em áudio e vídeo ou casas inteligentes, apenas para citar alguns exemplos.   
 
As revoluções vividas nas últimas décadas influenciaram nossa forma de agir, pensar e comunicar. De forma mais ampla, podemos assumir que mudou a forma como interagimos. Mas há uma discussão como pano de fundo que precisa ser analisada. Se por um lado temos mais agilidade nos processos rotineiros, por outro temos um número que cresce exponencialmente em distrações. Se hoje trabalhamos de forma mais automatizada e conectada, numa proporção ainda maior trabalhamos de forma errada. Permitam-me exemplificar. Hoje você chega em seu escritório, dá uma olhada no e-mail, no Instagram, Facebook, vídeos mais curtidos do momento, e naturalmente, seus infinitos grupos de WhatsApp. Quando percebe, passaram-se 30, 40, 60 minutos. Foram minutos produtivos transformados em improdutivos. Então, você finalmente começa a exercer suas funções quando de repente, uma nova mensagem chega. Você para novamente para olhar e, quando vê, 40 minutos se passaram.

É engraçado como as ferramentas planejadas para melhorar nosso desempenho sejam responsáveis por nossa improdutividade. Uma pesquisa realizada no último ano pela Triad Consulting, empresa especializada em produtividade, revelou como os profissionais brasileiros gastam seu tempo de trabalho na internet. Os resultados surpreendem e mostram como a produtividade cai com o uso da internet no trabalho. Para chegar aos números finais, foram entrevistados 1,6 mil profissionais. De acordo com a Triad, 80% das pessoas entrevistadas gastam até 3 horas da jornada de trabalho com atividades que não contribuem com seu serviço, sendo que boa parte destas horas é passada na internet. Outro dado importante revelou que, para 35,6% dos entrevistados, os próprios computadores, que são essenciais para o trabalho, são reconhecidos como principal foco de distração durante o expediente.
 
Se antes tínhamos uma jornada de trabalho bem definida (sabíamos exatamente os horários de entrada e saída), hoje, em função das comodidades comunicativas, misturamos vida profissional e pessoal. Perdemos tempo com assuntos banais durante o período laboral e depois tentamos recompensar esta improdutividade durante o período social. O mais engraçado é que, aos olhos dos outros, parece que trabalhamos sem parar, numa clara demonstração de dedicação plena, quando na verdade, somos improdutivos e desorganizados. Não sabemos lidar com estas ferramentas. Não sabemos separar vida pessoal e profissional. Estamos fisicamente em um lugar, mas virtualmente em outro, e como sabemos, pelas leis da física, um corpo não pode ocupar dois lugares ao mesmo tempo. Reflitamos, e assim, a vida segue...


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