domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Confiança

Publicado em 22/11/2018 00h10

Caro leitor, reza a lenda que certa vez a Verdade e a Mentira se encontram. A Mentira diz à Verdade: “Hoje é um dia maravilhoso!” A Verdade olha para os céus e suspira, pois, o dia era realmente lindo. Elas passaram muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço. A Mentira diz à Verdade: “A água está muito boa, vamos tomar um banho juntas!” A Verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e verifica que está realmente muito agradável. Elas se despiram e começaram a tomar banho. De repente, a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge. A Verdade, furiosa, sai do poço e corre para encontrar a Mentira e pegar suas roupas de volta. O mundo, vendo a Verdade nua, desvia o olhar, com desprezo e raiva. A pobre Verdade volta ao poço e desaparece para sempre, escondendo nele sua vergonha. Desde então, a Mentira viaja ao redor do mundo, vestida com as roupas da Verdade.  

Esta pequena fábula, originária do século 19, e representada na pintura “A Verdade saindo do poço” (1896), de autoria de Jean-Léon Gérôme, escultor e pintor francês, é mais uma destas parábolas atemporais e que parece ter sido escrita nos tempos de hoje. A relação entre verdades e mentiras é tão antiga quanto a própria evolução do homem. Nunca na história da humanidade tivemos tantas mentiras vestidas com as roupas da verdade. Em tempos onde o apelo midiático das ações assume um importante papel na transferência de informações, ignora-se o fato de que por trás de uma história contata por apenas um dos lados, as conduções de todas as ações ficam comprometidas. Ao permitirmos que a Mentira use as vestimentas da Verdade, muitas vezes, de forma involuntária ou não, tecemos pré-julgamentos sobre um determinado indivíduo, desconsiderando seu contexto de história como pessoa.

Uma das verdades plenas no comportamento humano é a de que nos momentos difíceis é que encontramos com quem podemos contar. O simples ato de vivermos nossas vidas permite que algumas vezes sejamos surpreendidos por questões de natureza diversa, nem sempre favoráveis e que fogem ao nosso controle. Nestes momentos, onde estamos naturalmente com nosso emocional abalado, com nossas perspectivas distorcidas, e onde colocamos “sub judice” nossa própria conduta, pouquíssimos são aqueles que não nos abandonam, que nos devolvem a base e confiança para seguir em frente.

Outro dito muito praticado é que o tempo é o senhor da razão. Não podemos apagar o passado, mas o tempo com certeza ajuda a cicatrizar a ferida. A sabedoria desta frase é algo ímpar, pois a metáfora da cicatriz não é a de esconder o ferimento, mas demonstrar que o mesmo foi sanado, porém deixou marcas, e estas marcas servem para nos lembrar das consequências de nossos atos. Nem tudo que reluz é ouro. Nem tudo que ouvimos é verdade. Nem tudo que lemos é correto. Pense nisso antes de julgar algo ou alguém. Seja único, seja sensato, seja justo e principalmente, seja ético. Reflitamos, e assim a vida segue...


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