terça, 13 de novembro de 2018
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

O poder das palavras

Publicado em 01/11/2018 00h10

Caro leitor, sempre que estamos diante de crianças falamos com cuidado, pois não queremos que eles aprendam palavras incorretas ou porque não queremos que as pronunciem sem controle e possam nos fazer passar vergonha a qualquer momento. Crianças falam muitas coisas sem se preocupar sobre o efeito que poderá causar aos que pronunciam em um determinado contexto. Talvez o que acabamos ignorando é que as palavras possuem o poder de criar e destruir. Para exemplificar esta afirmativa, nos atemos às amizades. As amizades iniciam a partir de um simples diálogo e, por qualquer palavra que seja dita fora do lugar, podem acabar.  
 
Quando crianças, somos totalmente inocentes, principalmente quanto ao uso das palavras, e à medida que crescemos vamos perdendo esta inocência e alimentando o lado obscuro do ser humano, enaltecendo com mais ênfase o lado negativo, desconfiando de tudo e de todos, mesmo antes de conhecer. O uso de um vocabulário pobre e pessimista, reflete-se no comportamento humano. O uso contínuo de palavras amargas reflete ações cotidianas igualmente amargas e desagregadoras. A convivência humana obrigatoriamente passa pelo uso das palavras. Estas, quando mal utilizadas, ferem muito mais que um dano físico, causando ferimentos emocionais que muitas vezes custam a cicatrizar.

Muitas vezes utilizamos palavras ofensivas simplesmente pelo fato de querer demonstrar que estamos certos, numa demonstração clara de inabilidade no relacionamento humano. Querer demonstrar que estamos sempre certos alimenta apenas o ego, nada mais, e desagrega em grande escala. Em termos de quebra de egrégora entre pessoas, nada é mais devastador do que o uso das palavras de forma soberba, o famoso dizer sem dizer. No popular, é o equivalente a falar nas entrelinhas, mandando um “recado” de forma subliminar. Observe que, ao optar por este tipo de comunicado, o emissor dedicou tempo e energia para conseguir formular a sentença, de forma que seu recado possa ao mesmo tempo, chegar ao receptor e igualmente ser evasivo aos demais ouvintes.

A verdade é que estamos perdendo muito tempo com aquilo que realmente não tem importância. Em muitos casos, preferimos dispender tempo e energia com o que terá como resultado apenas a celeuma, ao invés de equacionarmos as diferenças. Talvez o que esteja nos faltando atualmente seja um maior convívio com crianças, de forma que possamos resgatar a inocência de outrora e a visão simples e peculiar da vida. Resgatar o tempo de que nossas amizades eram baseadas somente nos interesses inocentes, das brincadeiras comuns e das inter-relações afetivas eficazes. Que possamos resgatar aqueles momentos de quando brincávamos no quintal e utilizávamos apenas palavras de incentivo, na tentativa de convencer um colega a brincar. Que possamos proferir mais palavras doces ao invés de apontarmos os defeitos uns dos outros. Em um mundo repleto de intolerâncias, que possamos fazer o uso das palavras de forma transformadora. Reflitamos, e assim a vida segue...


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