domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Fake news

Publicado em 18/10/2018 00h10

Caro leitor, muito provavelmente você já tenha recebido via redes sociais alguma informação completamente desprovida da verdade, idealizada sabe-se lá por quem e por qual motivo. São informações dos mais diversos gêneros, de apocalípticas a cenários controversos. A mentira agora tem outro nome, virou fake news. A proliferação de fake news atinge números inimagináveis e em velocidades exponenciais. Mas por que isso acontece? Talvez pelo simples fato de não nos darmos ao trabalho de checar a fonte da informação. Dias destes, recebi em questão de minutos a mesma mensagem em vários grupos de WhatsApp (família, profissional, amigos, etc.), cujo teor, além de propositalmente difamatório, deve ter sido elaborado por algum acéfalo desprovido de qualquer entendimento sobre o assunto que pretendia expor. O texto, que se dizia ser de autoria de um “major da Polícia Federal”, estava repleto de erros ortográficos, fatos e datas distorcidas, apenas para citar alguns exemplos. Estava claro que não era verdadeiro, e mesmo assim foi compartilhado por milhões e milhões de usuários.

Por quê? Porque não lemos o que compartilhamos. Ao compartilharmos este tipo de mensagem, além de passarmos vergonha e contribuir para a proliferação de mentiras, estamos incidindo em crime. A pessoa que compartilha notícia sem qualquer preocupação em verificar sua autenticidade está assumindo o risco de colaborar com a propagação de uma informação falsa que pode acabar prejudicando a reputação de terceiro(s). Por isso, a simples checagem dos fatos, feita em poucos minutos ou até segundos, pode salvar o divulgador de responder por um crime, caso a vítima ou seus familiares decidam recorrer à justiça. Além disso, o Marco Civil da Internet prevê que a pessoa prejudicada com alguma informação publicada na rede poderá solicitar a retirada do conteúdo, bem como ingressar com processo buscando a condenação de todos os responsáveis na esfera cível, podendo exigir o pagamento de indenização por danos morais.  

A proliferação de fake news é uma clara demonstração de imaturidade e incapacidade de interpretação textual, talvez fruto de anos de desconstrução de valores sociais, familiares e educacionais ocasionados por programas governamentais. Somos analfabytes, fato decorrente da simples inabilidade de leitura ou discernimento. Mas sinceramente, como esperar discernimento e capacidade de filtro de informações de uma população que perpetua fatos corruptíveis? Somos o único país no mundo onde ouvimos a expressão “esta lei não pegou”. Somos o único país no mundo onde aplaudimos os lobos em pele de cordeiro, numa clara demonstração de que não sabemos nosso real papel na sociedade. Somos um povo trabalhador, é verdade, mas completamente imaturo no campo social. A proliferação desenfreada de fake news é apenas um exemplo desta imaturidade, que talvez esconda graves problemas de conjunturas ainda maiores, mas o fato é que somos no mínimo imaturos.

Precisamos resgatar valores que foram se perdendo ao longo dos tempos, e a capacidade de pensar por si só é um deles. Ao disseminar mensagens falsas, estamos servindo de massa de manobra para alguém. Pense nisso antes de sair compartilhando informações sem qualquer tipo de filtro ou análise mais aprofundada sobre o assunto. Reflitamos, e assim a vida segue...


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