domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Erros e acertos

Publicado em 27/09/2018 00h10

Caro leitor, muitas vezes, de forma involuntária ou não, cometemos erros, e estes naturalmente apresentam consequências. O erro, em muitos casos, é a única forma através da qual realmente amadurecemos e evoluímos de alguma forma. Em nosso tempo, dito como “tempos modernos”, talvez nossos maiores erros não estejam vinculados à materialidade do assunto, mas no paradoxo que nos permite estar em vários locais ao mesmo tempo e ao mesmo tempo em lugar nenhum. Adoramos responder um e-mail ou mensagem de aplicativo às 22h45min, demonstrando que estamos sempre online, numa forma imatura de demonstrarmos produtividade, mas ignoramos quem está fisicamente ao nosso lado. Hoje, nossa presença deixou de ser preferencialmente física para ser virtual. Virtualmente é possível estarmos em vários locais ao mesmo tempo, interagindo com diferentes colegas e cenários, sendo possível, inclusive, criar uma falsa rotina de felicidade, viagens felizes, festas, etc.. O que realmente acontece é que estar em diferentes lugares ao mesmo tempo, faz com que estejamos de fato, em lugar nenhum.    

Se por um lado os recursos tecnológicos nos aproximam, eliminando a interferência geográfica do processo, por outro nos distanciam daqueles que estão próximos (fisicamente falando). Observe o comportamento dos convidados para, por exemplo, um simples almoço de família. O diálogo se torna quase que improvável, pois ficam todos em seus universos paralelos, através de seus celulares e congêneres, dialogando com outros, mas posando para fotos e postagens nas redes, como se a interação fosse realmente ativa. Estamos mais preocupados em vender a ideia de felicidade do que realmente vivê-la. Nosso maior erro está sendo o de permitir que nossas vidas passem a ser vividas apenas em ambientes virtuais. É como vivermos uma vida paralela, onde, ao contrário do que acontece na vida real, só vivenciamos momentos bons e felizes. O problema não está na postagem, mas na tentativa quase que irracional de demonstração de que tudo sempre anda bem, numa tentativa clara de esconder realidades.

Não sei se existe alguma “regra” ativa no universo virtual, onde sejam proibidas as postagens da vida como realmente ela é. A interação humana começa a diminuir e ser substituída por uma vida dita “perfeita”, com uma busca incessante por “likes, curtidas e compartilhamentos”, e ficamos #chateados quando não atingimos um número expressivo de “reconhecimento virtual”. Em uma palestra sobre tecnologias, ministrada pelo professor Valter Schmitz Neto, a qual tive o privilégio de assistir, foi  apresentado que a humanidade levou 1.750 anos para dobrar pela primeira vez o nível de conhecimento e que, até 2030, os conhecimentos serão duplicados a cada 73 dias, em função da conectividade de informações. Receio, no entanto, que nossa capacidade de absorção de informações não caminhe com tal velocidade. Esta necessidade quase que irracional de estar conectado 24h diárias, transferindo nossas vidas para o ambiente virtual, mascarando nossos enganos e desilusões, certamente é um erro numa tentativa clara de viver uma vida que não nos pertence. Ninguém é feliz todos os dias. Não é possível viver somente de festas, viagens, passeios, etc. Por menos conectividade e mais interação. Reflitamos, e assim a vida segue...


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