domingo, 16 de dezembro de 2018
Facebook Instagram Twitter Youtube
48 3053-4400

Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Escrever corretamente é coisa do passado

Publicado em 30/08/2018 00h32

Caro leitor, dados apresentados pela Confederação Nacional da Indústria apontam que, na contramão das estatísticas, muitas vagas de trabalho disponíveis no mercado não estão sendo preenchidas. O motivo principal desta falta de preenchimento está relacionado à desqualificação dos candidatos. Se esta informação já não fosse preocupante por si só, o mais alarmante é que a desqualificação mencionada na pesquisa é vinculada aos elementos básicos, como raciocínio lógico, interpretações de texto e, pasmem, regras básicas ortográficas. Estamos empobrecendo culturalmente e perdendo a compreensão do uso de nossa própria língua. A falta de leitura, e aí estou me referindo àquela leitura em profundidade e que permite a perfeita compreensão da mensagem, contribui significativamente para este alarmante fato. Como estamos perdendo o hábito da escrita manual, substituindo-a por recursos de comando de voz através dos smartphones, computadores, etc., não precisamos mais nos preocupar se assessoramento é escrito com “ç”, “ss” ou “sc”, afinal o corretor escreverá de forma correta. A perda desta sensibilidade faz com que, quando somos solicitados a escrever à moda antiga (manualmente), escrevemos de qualquer forma, sem analisar o que acaba de ser escrito.

Os exemplos de atrocidades com nossa língua vernácula e, portanto, o empobrecimento de nossa língua estão, mesmo que de forma discreta, sendo implantados em nossa cultura. Vejamos as letras que compõem os maiores hits nacionais do momento. Ouvimos e replicamos sentenças do tipo “levanta as mão pra cima”, ou “tira os pé do chão”, apenas para citar alguns exemplos. Estamos nos tornando uma sociedade que, apesar de ter fácil acesso à informação, não sabemos o que fazer com ela. Estamos tendo dificuldades em formular e expressar de forma clara um raciocínio. Hoje, é muito fácil montarmos um texto com cinco mil caracteres se utilizarmos recursos tecnológicos (Control C + Control V), mas penamos para escrever 50 caracteres sem qualquer tipo de consulta. Estamos novamente transferindo nossas responsabilidades, mas de uma forma devastadora. Nos tempos de hoje, ser alfabetizado não significa ser instruído, a final, se lermos e não compreendermos o que está sendo dito, basta perguntar ao smartphone. Dias desses, houve apreensão de quatro toneladas de entorpecentes, descoberta pela presença de um erro de ortográfico na nota fiscal.

Em tempos onde tudo envelhece precocemente, nossa língua está sendo substituída. Logo, ao invés de palavras, nos comunicaremos através de emojis, pois não seremos capazes de interpretar os significados da união de caracteres. Mas por enquanto ainda prevalece a máxima do poeta: “um português bem dizido, ninguém correje.” Alguns até querem confundir o emprego do imperativo afirmativo com uma forma reduzida do presente do indicativo. Na verdade, estas regras estão sendo substituídas por coisas do tipo “o que vale é se comunicar”. Escrever corretamente está virando coisa do passado, assim como os bons modos e a educação. Como perguntar não ofende, quantos erros ortográficos e/ou de concordância você encontrou ao longo deste texto? Reflitamos, e assim a vida segue...


VOLTAR
Notisul - Um Jornal de Verdade
LIGUE E ASSINE (48) 3053-4400 Rua Ricardo José Nunes, 346 - Jardins de Pádova - Santo Antônio de Pádua - CEP: 88701-571 - Tubarão/SC
Copyright © Notisul - Um Jornal de Verdade 2017. Desenvolvido por Demand Tecnologia e Bfree Digital