domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

O Brasil que eu quero

Publicado em 23/08/2018 00h10

Caro leitor, é fato que estamos mais preocupados e antenados com a política. Os debates políticos televisionados estão apresentando números de audiência nunca antes vistos, e as discussões sobre o tema apresentam-se mais coerentes e profundas do que as últimas eleições, embora a “paixão” por candidatos ainda persista. Em paralelo, uma iniciativa, capitaneada por uma emissora de televisão, permite a manifestação dos eleitores através da elaboração de um vídeo onde é possível ao protagonista expor “o Brasil que eu quero”. De Norte a Sul do país, pessoas expõem que desejam um Brasil livre da corrupção, no qual os programas sociais funcionem, a infraestrutura seja fruto de planejamento macro e a segurança pública e educação sejam eficazes em seus papéis. Nada mais justas estas reivindicações, porém novamente estamos, mesmo que involuntariamente, mantendo a dinâmica de transferência de responsabilidades. Continua-se a propagar que este compromisso (o de fazer o Brasil realmente funcionar como tem de ser) é de alguém ou um ser onipresente. O compromisso para que atinjamos estes objetivos é nosso, não de terceiros.

Esta necessidade de terceirização de responsabilidades está tão impregnada em nosso dia a dia que muitas vezes a realizamos de forma involuntária. Por exemplo, quando presenciamos um ato falho de um cidadão qualquer, como o simples ato de estacionar na vaga de idoso sem o devido credenciamento para tal, ou ainda apropriar-se de uns meros trocados, fruto de um troco errado dado pelo atendente, logo nos vem à mente, “meu Deus, será que ninguém fará nada?”. A revolução que precisamos não é a de encontrarmos um salvador da pátria, mas a de começarmos a fazer diferença em nosso dia a dia, permitindo que nossas ações individuais possam exercer significância positiva na coletividade. Sepultar o famoso “jeitinho brasileiro” já seria um importante passo. Transferir aos nossos filhos que muito mais importante do que saberem o preço é saber o valor das coisas já seria um começo. Compreender que viver em sociedade, é fazer com que as pequenas ações individuais reflitam na coletividade. Ao compreender que nossos representantes eleitos são servidores públicos temporários e não entes intocáveis e inacessíveis, e como tal devem ser fiscalizados ativamente por todos nós permitirá que as ações realmente aconteçam como devem acontecer. Quanto mais distantes estivermos neste processo de fiscalização e envolvimento, mais distante as ações públicas estarão de nosso cotidiano.

Imagine que você tivesse o poder de mudar esta realidade. Imagine que você pudesse acompanhar de perto onde e como os recursos advindos da alta carga tributária estão sendo empregados. Imagine que pudesse garantir escolas bem equipadas e condicionadas às realidades educacionais realmente eficazes. Imagine se você pudesse influenciar na melhoria da segurança pública, na saúde pública e na infraestrutura. Imaginou? Agora pare de imaginar e aja. Talvez o termo não seja o Brasil que eu quero, mas o Brasil que precisamos. Precisamos de um Brasil com mais envolvimento e engajamento da sociedade, onde assumamos nossas responsabilidades, onde sejamos atores ativos no processo e não apenas meros e desqualificados espectadores. Reflitamos, e assim a vida segue...


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