domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

As manobras

Publicado em 19/07/2018 00h04

Caro leitor, acompanhamos diariamente nos noticiários a proliferação de nossa pseudocrise financeira que assola nosso país. Falta dinheiro para tudo. A população já cortou os supérfluos, reduziu gastos com lazer, substituiu itens de alimentação, etc., etc., etc. Enfim, fez aquilo que óbvio indica nestes casos. No setor governamental, independentemente de esfera, igualmente alega-se não se ter dinheiro para nada. Já aconteceram cortes financeiros em programas sociais, educacionais, infraestrutura e segurança pública, só não reduziu-se as mordomias e benesses aos nossos representantes. Por isso, iniciei o texto de hoje com a expressão “pseudocrise financeira”, pois nossa crise não é financeira (somente), mas moral. Permita-me exemplificar.

A linha de sucessão presidencial do Brasil é uma ordem de sucessão que define quem substitui ou sucede o presidente da República Federativa do Brasil como consequência de morte, incapacidade, suspensão, renúncia, impedimento ou viagem do presidente titular. A Constituição Federal estabelece que o vice-presidente sucede definitivamente o presidente quando este morre, renuncia ou é removido do cargo. Depois dele, também fazem parte da linha sucessória os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, estes três últimos apenas substituem temporariamente o presidente, não cabendo-lhes a sucessão em definitivo. Feita esta breve introdução ao tema, vamos aos fatos.

Nosso presidente cumpre agenda internacional, portanto uma agenda oficial e, por não possuir vice-presidente na cadeia sucessória, assume temporariamente o comando do país o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. No entanto, o nobre deputado pretende concorrer à reeleição, portanto não pode assumir cargos no executivo para não tornar-se inelegível. Assim, diante de uma coincidência extraordinária, o nobre deputado também está cumprindo “agenda oficial” internacional, impossibilitando-o de assumir o cargo. Segundo o jornalista Marcelo Camargo, da Agência Brasil, “O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), viajou na tarde desta segunda-feira (16) ao Chile, acompanhado dos deputados Mário Heringer (PDT-MG) e José Carlos Aleluia (DEM-BA). A missão ao país vizinho é para evitar que Maia assuma o Palácio do Planalto nesta semana”. Isto é uma afronta à moralidade de nossa sociedade.

Enquanto não temos mais o básico do básico, e nos viramos com migalhas, nossos representantes, em uma demonstração clara de que “estão se lixando para a população”, realizam manobras políticas unicamente em prol de seus interesses, com nossos recursos. Sendo esta uma viagem oficial, o avião utilizado não é um de carreira, mas o da FAB, portanto meu caro leitor, pago com o meu e o seu dinheiro, fruto da alta taxa tributária que consome, a cada dia, um percentual maior em nossas rendas. Nós financiamos, através de nossos impostos, esta farra com o dinheiro público.
Mas pergunto-me o que fazem os outros 512 deputados, eleitos para, entre outras funções, fiscalizar o uso dos recursos públicos entre seus pares? Nada. Apenas observam e locupletam-se das mesmas benesses, sempre que possível. Enquanto ficarmos distantes da política, de forma a permitir que a politicagem prevaleça, continuaremos a financiar os mesmos, exigindo que as coisas mudem. Não vão mudar! Reflitamos, e assim a vida segue...


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