Jaguaruna
Entre as sete pessoas que morreram no acidente ocorrido na rodovia BR-376, em Guaratuba, no Paraná, nesta quinta-feira, estava policial militar Francisco Vanderlei da Silva, de 51 anos. Ele morava em Jaguaruna. Aposentado há dois anos, cabo Chico fazia trabalhos voluntários para toda a comunidade da cidade. Foi membro do Conselho Municipal da Criança do Adolescente de Jaguaruna e recentemente preparava-se para criar uma ONG voltada a pessoas carentes.
Dilceu Lima da Silva, 50, irmão do cabo Chico, trabalhou com ele na PM por um bom tempo, e diz que será difícil encontrar na cidade alguém com o mesmo carisma e vontade ajudar o próximo como seu irmão.
“Ele ganhou uma placa como ‘Amigo da Comunidade’, era bastante conhecido. Foi um exemplo de pessoa pelo tamanho de sua bondade”, lembra o policial.
Assim como fazia o bem para todos, com a família não era diferente. Chico tinha seis filhos, quatro adotivos. Dois deles adotados na época em que atuava no Conselho Municipal da Criança do Adolescente.
“Foi um ótimo pai e marido. Não temos do que reclamar. Ele era um amor de pessoa e sempre passava isso às pessoas. Minha mãe, todos nós, está inconformada”, lamenta uma filha das filhas do ex-policial, Elisangela Silva.
O acidente
A colisão ocorreu por volta das 13h20min. Cabo Chico voltava do Paraná junto com o cunhado, que morava em Florianópolis, o vigilante Vilson da Rosa, 48. Eles foram ao Hospital Municipal de Curitiba, onde Vilson marcaria uma cirurgia para o próximo mês.
As viagens à capital paranaense eram constantes. Chico levava, por conta própria, pessoas com vulnerabilidade financeira ao mesmo hospital que esteve com o cunhado. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal paranaense, três caminhões e quatro automóveis envolveram-se no acidente.
Por causa das colisões, alguns veículos se incendiaram e três dos mortos tiveram os corpos carbonizados, entre eles estava o cabo Chico. O desastre foi provocado por um caminhão, que perdeu o controle na descida da serra depois que os freios sofreram superaquecimento. O corpo de Chico será liberado após a identificação, mediante exames de DNA. Há familiares no local, mas a justiça ainda não liberou nenhum dos corpos.

