O PDT do candidato a governador Jorge Boeira aposta que esta eleição em Santa Catarina não será verticalizada pela disputa presidencial como a última, quando a onda 17 levou governo e bancadas. Por isso, optou pela candidatura em chapa própria com um perfil diferenciado do político profissional: engenheiro mecânico, empresário bem sucedido e com grande sensibilidade social. “Sei de onde vim, filho de gente simples, comecei a trabalhar com 12 anos, consegui chegar a Ufsc e construí três empresas que hoje empregam em torno de mil pessoas. Na disputa social, eu tenho lado, é o do trabalho”, afirma Boeira, ex-deputado federal por 16 anos.

Boeira calcula que 15% dos eleitores catarinenses estão com Lula e 20% com Bolsonaro. Quando o PT entregou a vaga de senador a Dário Berger (PSB) deixou de fazer sentido apoiar Décio Lima. Ser candidato a vice limitaria a história, o protagonismo e o palanque do PDT para o presidenciável Ciro Gomes.

Entre as duas margens dos eleitores de Lula e Bolsonaro, que mesmo assim terão dificuldade para encontrar o candidato a governador alinhado, há todo um universo de “cidadãos que procuram alguém com experiência e que possam ter a segurança para votar”, aponta Boeira. “Um governador que não faça tantas trapalhadas como temos visto”, situa o pedetista.

Com um minuto que terá na propaganda eleitoral e suporte de rede social, está empolgado para levantar a bandeira da igualdade de oportunidades entre as pessoas pobres ou ricas. Na bagagem, sua liderança para a interiorização da Ufsc, quando deputado federal. A expansão para além da Ilha de Santa Catarina começou em 2009 com os campi de Araranguá, Joinville e Curitibanos e em 2014, também em Blumenau.

Troca de gentilezas

Presidente da Alesc, Moacir Sopelsa, serviu Leitão à Concórdia ao governador Carlos Moisés, neste final de semana, durante as comemorações de 88 anos do município. O deputado e ex-secretário de Agricultura e ex-prefeito de Concórdia deve assumir o governo do Estado nas próximas semanas, liberando Moisés para a campanha à reeleição.
Sopelsa abriu mão de concorrer a novo mandato parlamentar, mobilizou-se para que o MDB apoiasse o governador e que Udo Döhler fosse o candidato a vice. Só não vira governador, se a vice-governadora Daniela Reinehr recuar de concorrer a deputada federal. O que é improvável, já que se Sopelsa for para o Centro Administrativo, o Palácio Barriga Verde ficará nas mãos do vice-presidente Maurício Eskudlark, ex-tucano hoje no PL de Daniela e Jorginho Mello.

Empolgado

Boeira também está empolgado pela complementaridade da chapa com Dalmo Claro de Oliveira, médico de Joinville, candidato a vice, e a vereadora de Itajaí Hilda Deola, candidata ao Senado. “É a primeira mulher para o Senado, ligadas às artes, incentivadora da cultura, mulher que venceu o câncer a perda da mãe, ao mesmo tempo, estou encantado por ela e também o eleitor ficará”, comenta.
O presidente do PDT, Manoel Dias, será o coordenador da campanha que terá 40 candidatos a deputado entre estadual e federal.

Mulheres fortes

Angela Pascoali e Jorge Boeira namoram desde que tinham 15 anos e têm três empresas juntos. Duas do setor metal mecânico ele construiu. A terceira, a Pagé, segunda maior fabricante de silos de alta qualidade e tecnologia de ponta no Brasil, sua mulher é sucessora e ele compartilha a gestão. “Santa Catarina terá uma primeira dama empreendedora”, brinca. “É a mulher da minha vida, somos cada vez mais apaixonados, agora com os netos, que alegria! Meus valores são muito claros: família, trabalho e religião.” Registrado em Vacaria, no Rio Grande do Sul, o nome Jorge Catarino seria homenagem da família pelo nascimento do único dos quatro filhos em solo catarinense. Boeira conta que a mãe vendeu muito salgadinho para que ele pudesse se formar.

Samu a mil

Relatório da Secretaria de Estado da Saúde aponta que Samu passa dos 450 atendimentos diários em Santa Catarina. As equipes de suporte básico e avançado e aeronaves Arcanjos passaram de 85 mil atendimentos para 91 mil entre janeiro e julho deste ano. Destes, 17 mil casos mais graves precisaram de UTI móvel. Aumentaram atendimentos nas regiões de Camboriú, Criciúma e Grande Florianópolis, principalmente.

Voz única

Sérgio Rodrigues Alves, presidente da Facisc, já foi secretário da Fazenda de Luiz Henrique da Silveira, e nestas eleições chegou a ser sondado para compor como suplente de senador. Sem chance, porque nem lá nem cá, o empresário filiou-se a alguma sigla. De todo modo, torce para que o futuro governador crie um conselho de notáveis, com participação das federações empresariais, que ajude nas decisões sobre investimentos e prioridades. “Santa Catarina é um Estado que se diferencia. Basta ver nossos índices de produtividade, de emprego. Merecemos ser um exemplo de gestão para o Brasil inteiro. Representamos 1,1% de todo território nacional, somos uma potência em termos econômicos, mas temos de dar o exemplo agora em termos de gestão”, alinhava ele.

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Pelo Estado