Com o fim da segunda guerra mundial, o governo de Getúlio Vargas chega ao fim no Brasil. O autoritarismo, que era uma forte característica de seu governo, cede espaço a um curto período de liberalismo no país e é, nesse contexto histórico, que surgem na música cultural brasileira seus principais artistas.
Mas, em meados dos anos 60, o Brasil sofreu o chamado golpe militar. Este dava aos militares todo o poder para administrar o país. Com base nisso, os militares criaram os Atos Institucionais (AIs), que foi uma maneira colocar sob controle a população brasileira.

Foram cinco atos, sendo o mais tenebroso deles o AI5, que calou as vozes de muitos artistas. Instaurado em 1968, durante o governo de Arthur da Costa e Silva, trouxe como medidas: recesso no congresso nacional; intervenção nos Estados e municípios; suspensão dos direitos políticos; proibição de manifestações políticas; suspensão da garantia do habeas-corpus.
Assim, os poderes absolutos tomaram conta do Brasil. A censura à imprensa tornou-se inexorável. Os assuntos que eram vetados eram substituídos por notícias inocentes ou por poemas épicos. Tinham preferência pelos “Lusíadas” de Luís de Camões. As notícias de prisões, torturas e desaparecimentos não podiam ser publicadas.
Nas mãos dos censores, muitos textos e imagens eram proibidos por alegarem apresentar conteúdos que prejudicariam a ordem política, social e econômica pré estabelecida ou definidos como imorais.

De 1968 a 1978, a censura musical no Brasil foi implacavél, muitas vozes foram caladas. Uma série de compositores foi fortemente perseguida pela censura militar. A cultura musical resistiu como pode para garantir espaço e divulgar ideias de liberdade.
O compositor Chico Buarque de Holanda viveu um verdadeiro martírio, tudo que ele compunha era censurado. As canções Cálice e Apesar de Você foram censuradas e, a partir disso, resolveu então criar um pseudônimo chamado de “Julinho de Almeida”. Mesmo assim, Julinho criou apenas três canções. Em 1969, Chico resolveu então se autoexilar na Itália. Ao retornar ao Brasil, continuou com composições que denunciavam problemas sociais, econômicos e culturais.

Outros artistas também sofreram com a censura. Os cantores populares e românticos, tais como Geraldo Vandré e Gonzaguinha, viram dezenas de suas canções proibidas, pelos motivos mais diversos.
Os clamores por justiça social e liberdade, que ganhavam cada vez mais força no país, eram brutalmente abafados. Ainda hoje, vemos profundas marcas deixadas por esse período nebuloso da história brasileira. Muitas pessoas que viveram a época preferem não comentar sobre o assunto, como se isso fosse apagar de suas memórias a insanidade da crueldade.
Viva a liberdade de pensamento, viva a cidadania!!!