Em 1917, pela primeira vez na história um país tornava-se socialista: a Rússia. Todo o século 20 foi marcado pelo confronto ideológico entre capitalismo e socialismo. Com a derrocada do regime soviético e a queda do muro de Berlin, propagou-se o fim do comunismo.

Vários intelectuais, que outrora se diziam socialistas, passaram então a dizer que realmente o socialismo fracassou. Até mesmo o PCB (Partido Comunista Brasileiro), através de seu presidente Roberto Freire, entrou nessa onda, fundando mais tarde o PPS numa tentativa de separar-se do velho PCB.

Somente o PCdoB continuou a levantar a bandeira do socialismo e a defendê-lo. Será mesmo que o capitalismo venceu e todo ideal de uma sociedade mais justa exasperou-se com a queda da URSS?
Nesses 17 anos em que estamos vivendo sem a presença da União Soviética, o que se viu foi o recrudescimento do imperialismo.

Guerras, especulação financeira, desemprego em massa, liquidação das leis trabalhistas, miséria, abertura ao capital estrangeiro de forma irresponsável, assim como a desestatização feita também de forma irresponsável (exemplo da Vale do Rio Doce, onde em poucos meses os grupos que compraram liquidaram a dívida), entre tantos são os resultados.

Hoje, os países do chamado terceiro mundo vivem uma pauperização crescente.
Primeiramente, quero afirmar que nunca houve no mundo países comunistas. Nem Cuba é comunista. Somente existiram modelos de países socialistas, e existe muita diferença entre o socialismo e o comunismo, apesar de estarem entrelaçados necessariamente.

No socialismo, o estado proletário, voltado para o trabalhador, tem que ser forte e intervir diretamente. Somente com o desenvolvimento do socialismo e o fim do capitalismo é que então o estado cessa suas atividades de interventor direto e passa então a atuar indiscretamente, é o estado mínimo, só que numa dimensão voltada para o bem-estar das pessoas, e não o estado mínimo capitalista que pregam vários economistas, onde o estado deixa quase de existir para a plena liberdade de exploração do capital.

Quero também afirmar que a derrocada do regime soviético se deu por circunstâncias próprias. Desde o 20 Congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética) ocorrido em 1956, esta decidiu por abandonar a linha do socialismo e, a cada dia, mais distanciou-se do ideal e da prática socialista. Os acontecimentos do final da década de 80 nada mais são que os resultados desse abandono iniciado em 1956 por Nikita Kruschev.

Portanto, vivemos num momento de crise do socialismo, mas creio ser esta uma crise momentânea. Momentânea porque em tão pouco tempo o capitalismo deu mostras de sua incapacidade de trazer os benefícios necessários para a humanidade. Jamais um regime político consegue manter-se por muito tempo quando este não favorece pelo menos uma maioria simples da população. O grande ideal socialista permanece e permanecerá vivo enquanto injustiças continuarem a existir.