A Unisul é patrimônio da sociedade tubaronense e esta premissa me parece tão irrefutável quanto reveladora.
Irrefutável em função de ter em seus genes a marca firme dos esforços do poder público municipal para sua criação, a carga criativa do capital intelectual dos filhos de nossa terra e, acima de tudo, a força impulsionadora dos esforços coletivos regionais para seu contínuo crescimento.

Reveladora, visto que traz à tona o quanto não conhecemos e não comandamos o que é nosso. A Unisul fechou-se, e isto é tão claro quanto inadmissível. A Unisul não debate com nossa sociedade seus rumos. Antes, ignora a possibilidade de amadurecer o debate. Quem sabe, pudéssemos ter um reitor genuinamente tubaronense, comprometido com a raiz da instituição, que nos permita reconquistar o diálogo franco e aberto com nossa universidade.

Minha manifestação não é no sentido de discutir qual o modelo mais democrático de escolha do próximo reitor, e sim que se institua um modelo verdadeiramente democrático, público e participativo, que respeite os estudantes e as forças vivas de nossa sociedade. Alguns dirigentes deslocaram o eixo de comando da Unisul, provocando inquietações quanto ao rumo traçado.

Mas tal comportamento pode estar a ponto de despertar gigantes adormecidos. Além da democratização, o caráter público da Unisul tem de ser tema do debate eleitoral deste ano, tem de ser tema do dia-a-dia das associações empresariais, da câmara de vereadores, do poder executivo municipal. Chega de calar aos olhares amedrontadores, chega de deixar ao léu os estudantes amordaçados. É hora de darmos ressonância, é hora da classe política acordar, é hora de nossa sociedade acordar como um todo.

Podemos debater nos tribunais a natureza jurídica da Unisul, debater no poder executivo municipal e na câmara de vereadores sua organização interna. Pode-se mesmo lançar a chapa alternativa sugerida pelo magnífico reitor, conforme noticiado pelo presidente do DCE, pode-se até alterar o sistema de eleição da Unisul. Pode-se, a bem da verdade, tudo que a sociedade organizada achar que pode. É preciso apenas que tenhamos consciência disso.