Convido os meus colegas de profissão e todos aqueles que se preocupam com a aquisição do conhecimento para uma breve conversa sobre leitura. Um assunto tão discutido nos dias atuais.
É comum ouvir de nós, professores, reclamações acerca da pouca proficiência leitora de nossos alunos. No entanto, pode-se ver nesse reclamar um lado positivo: a consciência do problema. Qualquer pessoa comprometida com a educação logo pensará que compete à escola formar leitores proficientes e críticos, e esse tem sido, efetivamente, o objetivo perseguido por nós professores em nossas práticas escolares.

Se este é um problema eminente e não tão recente, pergunta-se por que razão ele persiste. Talvez porque a tarefa de ensinar leitura seja bastante difícil e também porque, ora ou outra, nos perguntamos se ensinamos a leitura propriamente. Outra razão seria a falta de incentivo à leitura por parte da família.
Deixando de lado os “culpados”, ou melhor, os responsáveis (pois me parece mais propício nesta situação não culpar e sim responsabilizar), vejo que o caminho é a motivação. Deve-se apostar em práticas que favoreçam uma melhora significativa no desenvolvimento da leitura.
A todo instante, pensamos que isso ou aquilo poderia despertar o interesse pela leitura. Porém, o que observamos é que nossas estratégias não têm dado resultado. Para nós (professores) que defendemos uma pedagogia crítica, emerge a necessidade de refletir sobre nossa prática escolar em relação à leitura. Por isso, caros professores, pergunto: ensinamos ou não a leitura? Ensinamos a leitura como ensinamos a matemática, a gramática, a física?

Como sabemos, os documentos oficiais que norteiam a educação brasileira sugerem uma nova perspectiva para o ensino da leitura e esta deve fazer parte do cotidiano da sala de aula. Talvez, neste momento, vocês sintam vontade de encerrar a leitura desse texto, pois podem estar pensando “lá vem mais um com toda aquela conversa de que se fizer isso ou aquilo o problema será solucionado”… Mas, peço-lhes só mais alguns segundos.

O ensino da leitura pode ser abordado através de novas perspectivas, sim. No dia a dia da sala de aula, está presente uma ferramenta muito eficaz, capaz de contribuir significativamente no desenvolvimento das habilidades leitoras do indivíduo que decodifica (decodificar é juntar as sílabas e ler a palavra). Esta ferramenta é usada pela maioria dos professores e estes não fazem idéia de que através dela estariam contribuindo para a formação de leitores proficientes. Digo estariam porque a utilização desta ferramenta nem sempre é feita como deveria. Bem, trata-se do uso de filmes legendados. Atenção à palavra “legendados”.

Quem de nós professores já não usou filmes como recurso para consolidar um conteúdo? Se o uso de filmes em sala de aula serve como suporte para ensinar, por que não os utilizamos em benefício da leitura? É claro que neste momento vocês podem estar se dizendo: “mas o aluno não gosta de filmes legendados”. E por que, professores, eles não gostam? A resposta é óbvia – não gostam porque o nível de letramento é baixo, ou seja, apresentam dificuldades para ler.

Fica aqui, primeiramente, o convite para refletir sobre o assunto. Fica, ainda, a sugestão sobre o uso de filmes legendados como suporte para o ensino da leitura. Negar uma realidade é eximir-se do compromisso e não ter consciência de que ela se faz presente em nosso meio é negar a função da educação cujo objetivo é romper o círculo vicioso entre a miséria, a ignorância e o preconceito.