Maurício da Silva
Professor, mestre em educação

No dia 22 de março é o Dia Mundial da Água para lembrar que água de menos mata, e o dia 24 de março é o aniversário da enchente de 1974 para lembrar que água demais também mata.

Foi para este norte que evoluiu o 9º Seminário 43 anos da Enchente de 1974, ocorrido no dia 24 de março, no auditório da Amurel, em Tubarão.

Não se pode desconsiderar o potencial destrutivo do rio. Outra enchente (há um histórico delas) causaria tragédia superior àquela de 1974 – que vitimou 199 pessoas, desabrigou outras 65 mil e causou prejuízo de atualizados R$ 7 bilhões – devido ao adensamento populacional, sobretudo, ao longo das suas margens.

Como não se pode desperdiçar as vitais oportunidades que oferece. Água potável (que se não cuidar vai faltar, tornando-se a moeda mais valiosa do futuro), que também potencializa o turismo, o transporte e por que não, a pesca.

Nos dois aspectos, o 9º Seminário 43 anos da Enchente de 1974 foi plenamente exitoso. Reuniu expressivo quantitativo de pessoas, aprofundou temáticas sobre desastres naturais a que Tubarão está sujeito e cumpriu os três eixos a que se propõe:

1) Memória: Para que autoridades e população, em vez de esquecerem a tragédia de 1974, envidem esforços para que outra não ocorra; 2) Prevenção: Depois da conquista dos projetos Executivo e Ambiental, financiados pelo governo do Estado, no valor de R$ 2.425,747,62 e das Audiências Públicas organizadas pela Fatma, nos municípios de Laguna, Capivari e Tubarão, veio o tão esperado anúncio do Secretário de Estado da Defesa Civil, dizendo que, até o final de março deste ano 2017, ocorrerá o pronunciamento oficial sobre as licenças ambientais – imprescindíveis para que se alavanquem os recursos para a redragagem do rio. Também que o Sul do Estado terá informações mais rápidas e mais precisas sobre o tempo, por meio da instalação do radar móvel meteorológico (o mesmo que se utiliza na Fórmula 1) e que Tubarão receberá o Centro Regional da Defesa Civil, que estará interligado ao Centro Integrado de Gestão de Riscos e Desastres em Florianópolis e operará no pior cenário possível de desastre natural. 3) Reação eficiente, constituída pelo Plano de Contingência, capitaneado pela Defesa Civil, que orienta a população sobre o que fazer caso a prevenção seja insuficiente, as águas ultrapassem o leito do rio e em caso de risco de deslizamentos.

Sugeriu, ainda, o Seminário, o esforço conjunto de todos os municípios que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão para que despoluam, não poluam e protejam as nascentes do rio. Isso implica, no mínimo, o cumprimento dos respectivos Planos Municipais de Saneamento Básico e como também defende o Seminário da Diocese de Tubarão sobre a Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema, “Cultivar e guardar a Criação”.