Dia dos Pais novamente: adoro esta época, quando o carinho que recebo é ainda maior, mas, por outro lado, lembro-me de meu pai, e isso me deixa triste. Não pretendia escrever nada, então, porque não queria mais uma crônica triste, mas sei que essas coisas nos identificam e acabam aproximando a gente, integrando-nos, nós, filhos da mesma mãe natureza que somos.
Meu pai talvez não tenha sido tão pai quanto eu desejaria que ele fosse, mas é possível que isso tenha me ensinado a ser um pai mais próximo de minhas filhas. Não sei se consegui, mas o fato é que tenho filhas maravilhosas.

Quando eu era criança, a maneira de educar os filhos era outra, mas a verdade é que eu tinha medo de meu pai. E quando eu cresci e saí de casa, nos distanciamos ainda mais. Um dia, fui chamado a um hospital por um de meus meio-irmãos, e já não havia mais tempo para conversar.
Sinto falta, ainda hoje, de um pai mais presente na minha vida. Talvez ele não tenha sabido ser um bom pai e eu, também, não tenha conseguido ser um filho melhor.

Queria lembrar um carinho, um abraço, um sorriso especialmente dado para mim. Como já disse, os tempos eram outros, a maneira de demonstrar afeição talvez fosse diferente, mas não poderia ser tão diferente a ponto de não chegarmos a reconhecê-la.
É possível que eu esteja sendo egoísta, mas para que não se repita mais o meu erro, conclamo todos os filhos – e todos nós somos – a dar um pouco mais de atenção e carinho a seus pais, mesmo que eles relutem em receber. E a todos os pais, também, a perceber o carinho vindo dos filhos e, principalmente, conclamo-os a retribuir, por mais sutil que isso tenha que ser.

Gostaria de ter um dia, apenas mais um dia para mim e meu pai, para que pudéssemos preencher esse vazio, essa falta de alguma coisa que poderia ter sido, mas não foi, poderia ter existido, mas não existiu, poderia ter acontecido, mas não aconteceu. Essa sensação de amor contido, desperdiçado, perdido.
Sinto saudade de ter saudade de meu pai.