Com base em dados do Ministério da Educação, publicados em matéria de capa do Notisul (12/08), lamentamos, neste espaço, a queda das escolas estaduais de Tubarão, da parte de cima para a parte de baixo da tabela do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) catarinense.
 
Tal queda se repetiu também no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), conforme publicação do MEC em setembro deste ano. Todas as escolas públicas de ensino médio de Tubarão, exceto uma, tiveram média no Enem 2010, inferior à do Enem de 2009. Apenas uma ficou acima da média estadual, mesmo assim, faz parte do grupo que pontuou menos em 2009.  
 
A causa, lamentavelmente, é a mesma: abandono de um conjunto de práticas, configuradas pela conceituada revista Exame, como “quatro idéias para avançar na educação”:
 
1 – Organizaram-se, em 2003, os conteúdos de todas as disciplinas e séries, para evitar que alunos da mesma série, de escolas vizinhas ou da própria escola, porém, de outro turno, estudassem assuntos completamente diferentes. Muitas vezes, os aprendizes não apresentam bom desempenho nas avaliações externas, porque lhes  cobram  o que não é ensinado.
2 – Indicadores como evasão, repetência, faltas dos alunos e dos professores eram medidos, a cada bimestre, em todos as escolas, com o objetivo de determinar, coletivamente, no início de cada ano, as metas e os métodos para alcançá-las. O estado, se desejasse, poderia utilizar estes dados para implantar a necessária meritocracia.
3 – Implantou-se vigoroso programa de capacitação para todas as escolas “inteiras”, alicerçados na Proposta Curricular de Santa Catarina, objetivando contribuir para a construção da necessária unidade teórico-prática e da identidade escolar.
4 – Instituiu-se planejamento bimestral para que os professores organizassem as problematizações e as historicizações do conteúdos, fundamentais para lhes resgatar o significado e, consequentemente, serem desafiadores e interessantes para os alunos.       
 
Se tais práticas fossem aperfeiçoadas, em vez de abandonadas, e outras, implementadas, com certeza, continuaríamos impulsionando para cima – em vez de para baixo – a média estadual do Ideb e do Enem.
A descontinuidade de serviços – não prosseguir o que deu certo em administrações anteriores – principalmente no setor público, é um desserviço à coletividade, principalmente à mais pobre.
 
É possível falar em crescimento da nossa cidade, com segurança, preservação do meio ambiente e distribuição de renda, se o fator mais importante, a  educação, é negligenciado?
 
Já está passando da hora de Tubarão ter planejamento e ações integradas, em todas as áreas, independentemente, se municipal, estadual ou federal, à altura do futuro que pretende construir. Do contrário, os bem-vindos investimentos, que chegaram e os que estão por vir, resultarão em incontornáveis problemas, em vez dos esperados  benefícios  para todos.