Dia 5 de março, em Florianópolis, participei da assembléia estadual do Sinte, instância máxima do sindicato, ocasião em que foi deflagrada a greve do magistério catarinense por tempo indeterminado.

Depois de tantas audiências para negociar a nossa pauta de reivindicações, e o governo testando nossa paciência e força de mobilização, os trabalhadores em educação disseram não ao fim da paridade entre ativos e aposentados, ao prêmio educar, à terceirização da merenda escolar e demissão de serventes, ao desmonte do nosso Plano de Cargos e Salários…
Cheguei em Tubarão por volta das 22 horas e, para minha surpresa, encontrei uma carta do senhor Governador Luiz Henrique, endereçada à minha pessoa. Quanta consideração!

Fiquei pensando: quanto foi gasto para enviá-la aos milhares de professores espalhados por toda Santa Catarina?*. Lendo a tal carta e observando os valores ali expressos, o senhor governador deveria ser denunciado por propaganda enganosa.

Primeiro, por promessa não cumprida ao anunciar no palanque de campanha que faria a equiparação do nosso piso salarial aos dos professores municipais de Joinville; e, segundo, porque a incorporação do R$ 50,00 e depois R$ 100,00 do primeiro abono (conquistas de greve de 2006, é bom que se diga!) representaram um aumento em torno de 47% e não de 109%, como diz a carta. E se o aumento foi realmente de 109%, por que a carta para se explicar?

Ainda bem que não acredito em promessas! Acredito, sim, na força dos trabalhadores em educação, cujas conquistas foram sempre forjadas na luta e dessa vez não será diferente.
Trabalhadores em educação, vamos à luta! Queremos uma educação pública de qualidade e uma política de valorização profissional do magistério catarinense.
* Segundo os correios foram mais de 30 mil cartas.