As empresas de todo o mundo descobriram na terceirização a possibilidade de melhorar o foco e ganhar em produtividade, concentrando-se mais no core business da companhia. Trata-se de uma tendência muito forte no mundo corporativo. Algumas estimativas apontam que, em uma empresa de grande porte, quase um terço dos funcionários que trabalham dentro das instalações são terceirizados.

A prática da terceirização, no entanto, camufla alguns sérios riscos para as empresas, que devem prestar atenção às práticas trabalhistas dessas empresas contratadas. O grande perigo é a aposta dar errado e a terceirização tornar-se uma fonte de problemas, e não de soluções. Nas auditorias por nós realizadas, constatou-se que 70% das ocorrências representam riscos para as empresas contratantes.

A questão trabalhista deve ser analisada a fundo. Mesmo terceirizados, os empregados trabalharão internamente à empresa. Este certamente é um dos motivos para que a justiça trabalhista mantenha o entendimento de que a empresa que contrata o serviço terceirizado é co-responsável pela garantia dos benefícios. Isso quer dizer que, em um possível caso de litígio, mesmo que o funcionário não pertença aos quadros da empresa, ela poderá ter de responder à justiça, caso seja envolvida no processo – o que, na maioria dos casos, sempre ocorre.

O ideal para equilibrar as vantagens da terceirização, sem correr os riscos de ser acionado na justiça trabalhista, é realizar um processo de auditoria na empresa contratada. Assim, é possível identificar possíveis irregularidades trabalhistas com antecedência, evitando problemas judiciais no futuro. Sempre que essas auditorias passam a ser feitas de forma sistemática, os riscos de irregularidades e, por conseqüência, de ações trabalhistas envolvendo as empresas contratantes, reduzem-se ao mínimo ou simplesmente deixam de existir.

Trata-se de um processo que traz resultados imediatos. Já realizamos diversas auditorias de terceirizados, por iniciativa das empresas contratantes e, em algumas delas, foi tomada a decisão de rescindir os contratos, tantas eram as irregularidades encontradas. Em uma grande multinacional do setor de alimentos, havia mais de 90 ações trabalhistas por ano envolvendo terceiros. Após os trabalhos de auditoria, esse número caiu para quatro.

Além da vantagem financeira, de não precisar arcar com os custos do processo e de eventuais indenizações, existe um enorme benefício de imagem. Empresas grandes dependem muito da imagem que a marca tem perante a sociedade e seus acionistas. Litígios em excesso podem arranhar a reputação da companhia, seja pela falta de cuidado na contratação de prestadores de serviços, seja por permitir que empresas com irregularidades trabalhem dentro de suas instalações.

Fica aqui o alerta para as empresas que recorrem à terceirização, sem o devido cuidado, de buscar a prevenção contra as chamadas “contingências ocultas”, por meio de auditorias periódicas, executadas por auditores independentes, junto às prestadoras de serviços terceirizados (vigilância, segurança, cozinha industrial, transporte de funcionários etc).