Nós, brasileiros, precisamos e merecemos que a senhora tenha êxito no governo, brilhantemente conquistado nas urnas, no dia 31 de outubro.

Depois de 500 anos, pela primeira vez, vemos a possibilidade concreta de erradicar a miséria em nosso país. Compromisso este assumido por vossa excelência no primeiro discurso, tão logo foi proclamada eleita a primeira presidenta do Brasil. Não é necessário que todos fiquem ricos, mas que emirjam da pobreza extrema. Também não precisam ganhar o peixe pela vida toda, mas que aprendam a pescar. O que demanda mais e melhores investimentos na educação e cobrança de resultados.

É uma hipocrisia falar em “Brasil Gigante”, como se fez na década de 70, ou se exibir como a 8ª economia do mundo, como se faz agora, se ocupamos o 73° lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre 169 países. A soberania de uma nação pressupõe a soberania de seu povo.

Não é por obra de Deus, num país como o nosso, de dimensões continentais, solo fértil e recursos naturais abundantes, que tantas pessoas passem dificuldades. É por obra de homens que mantiveram, e de certa forma ainda mantém, parte majoritária da população distante das decisões e dos instrumentos que lhes permitiriam acessar aos bens e serviços produzidos pela sociedade. Cabe a vossa excelência modificar esta engrenagem que exclui pessoas, destrói o meio ambiente e incita à violência, legando um futuro comprometedor para as próximas gerações.

Estávamos perdendo a esperança. A bandeira da superação das desigualdades sociais tremulou com cores muito vivas na luta contra a ditadura militar. Conquistamos as liberdades individuais e coletivas. Ninguém mais é morto, preso ou torturado, como a senhora o foi, por denunciar mazelas ou reivindicar melhorias salariais, mas a vida dos brasileiros não estava melhorando.

As duas décadas posteriores ao regime de exceção foram consideradas “perdidas”, devido ao baixíssimo crescimento econômico, arrocho salarial e grande desemprego. Muitos pessoas passaram, inclusive, a descrer da democracia e pregar o retorno da ditadura. A sua missão, portanto, repetida durante a campanha, é assegurar estas conquistas – liberdade e vida digna para todos – e aprofundá-las. Vinte e oito milhões de brasileiros já conseguiram. Muitos outros precisam fazê-lo.

Não temos dúvida que conseguirá. Quem como a senhora trocou o conforto de uma juventude tranquila – era filha de família de classe média – pela luta contra o obscurantismo, e superou tantos obstáculos, tem ideal de vida e compromisso com o bem-estar da coletividade. Sucesso, senhora presidenta!