Estamos vivendo a pior tragédia de toda a história de Santa Catarina. Mas, como das outras vezes, sem jamais desanimar ou perder a fé, o catarinense está sabendo se unir, dar-se as mãos e reconstruir suas vidas, homenageando, com suas vidas dignas, aqueles que partiram.

O lamentável saldo de mortos, feridos e desalojados dá dimensões de catástrofe à desgraça que se abateu sobre nossos irmãos, especialmente do litoral e Vale do Itajaí, uma catástrofe ambiental, que deve servir de alerta para a sabedoria contida na velha lição de Voltaire: “O homem argumenta, a natureza age”.
Assistimos, nos últimos 100 anos, a duas guerras mundiais e dezenas de outras guerras sangrentas. Nesse período, foram milhares de bombas e dezenas de explosões nucleares que castigaram a Terra, matando milhares de pessoas. O complexo industrial, militar ou civil, das grandes potências vitimou-nos com o uso massivo de energias sujas, com a emissão de líquidos ou gases poluentes, sem se importar com as conseqüências.
Após tudo isso, chegamos ao estágio dos tufões, furacões, terremotos, secas e temporais, já que “a natureza não reclama, se vinga”. E nós, do pequeno e belo estado de Santa Catarina, estamos pagando a conta…

Nada compensa as perdas materiais que desestruturam vidas e famílias inteiras, nada apaga ou dilui a dor das dezenas de vidas ceifadas pela violência e intermitência das águas, mas, igualmente, nada paga a imensa solidariedade posta em marcha por um exército de voluntários, tão anônimos quanto fundamentais, daqui do nosso estado e de muitas outras unidades da federação; nada paga o sentimento de dever de milhares de servidores que viraram noites e dias para minimizar a dor e o sofrimento de tantas famílias enlutadas, desesperadas, desesperançadas, também eles contando com a ajuda de muitos colegas de outros estados e do governo federal.
O poeta inglês Robert Browning, no seu livro Paracelso, dizia que “se mede a altura de um espírito pela sombra que projeta”. Gigantes de espírito, de alma e coração foi o que vimos atuando com destemor, bravura e heroísmo em mais este desafio colocado em nosso caminho.

Alguém, que não me recordo, disse certa vez que não devemos temer a aparição de uma grande sombra, pois ela só pode ser vista porque, por trás dela, há uma grande luz projetando-a.
Os portugueses tornaram-se os grandes navegadores, transformando o “Cabo das Tormentas” no “Cabo da Boa Esperança”, para descobrir o caminho marítimo para as Índias. Eles nos ensinaram que “depois da tempestade vem a bonança”.
E o poeta Thiago de Melo não amaldiçoa a escuridão da noite, porque espera sempre a luz do novo dia. Caminhemos em busca dessa luz e reconstruamos tudo o que foi perdido.

Santa Catarina já tem uma economia maior do que Uruguai, Paraguai e Bolívia, juntos! Temos um índice de desenvolvimento humano mais elevado que o do Chile! Se fizermos uma média dos nossos indicadores, que medem a qualidade na educação, cultura, ciência, tecnologia e qualidade de vida, temos o estado mais desenvolvido do país!
Tomemos partido disso! Consagremos essa luz de desenvolvimento aos entes queridos que partiram. Acreditemos, sempre, no futuro. Temos a melhor base de conhecimento para continuar construindo este estado, com a filosofia de que quem não é o maior, tem que ser o melhor!