Uma das qualidades do brasileiro reconhecida pelo mundo inteiro é o talento do seu futebol. A magia que encanta milhares de torcedores tem, em sua fórmula explosiva, vários ingredientes que tornam o espetáculo dos estádios num dos mais belos do planeta.

Além dos artistas da bola, é inegável a importância de outros atores que contribuem para manter acesa a chama da paixão pelo futebol. Os profissionais do rádio, por exemplo, são responsáveis em levar a emoção de uma partida. Alguém pode imaginar um jogo sem o trabalho da crônica esportiva? O que seria dos campeonatos com o silêncio das cabines, sem as opiniões polêmicas, a reportagem exclusiva, as gafes, as vinhetas?

Definitivamente, o futebol nasceu com o rádio e, mais tarde, passou a incorporar a TV. Grandes cronistas como Nelson Rodrigues (tricolor fanático), Osmar Santos, Armindo Antônio Ranzolin e Fiori Gigliotti são tão famosos quanto os craques do gramado. Gigliotti, por exemplo, era tão querido que recebeu 162 títulos de cidadão honorário.

Em Santa Catarina, cada região tem o seu narrador que empolga e mobiliza o time da cidade. Em jogos no campo adversário, são legítimos representantes das cores regionais, mesmo que isso, às vezes, ultrapasse o limite do racional, mas não da emoção.

O problema é que o campeonato catarinense começou esta semana e a Associação dos Clubes de Futebol e a Federação Catarinense resolveram obrigar as emissoras de rádio a cederem espaço comercial em troca de cabines nos estádios. Quem não aceitar a proposta, estará proibido de atuar nas transmissões.

Como representante das emissoras de rádio e TV, a Acaert repudiou a medida e não endossará a proposta dos clubes e da federação. A entidade lamenta uma atitude que demonstra a visão simplista da importância do trabalho dos profissionais do rádio, que nunca deixaram de cobrir as notícias do clube da região. Ou querem transformar o campeonato em produto meramente mercantilista ou simplesmente querem calar os estádios de futebol de Santa Catarina.