A Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), através da coordenação nacional, adotou, a partir desse ano, a data de 26 de julho como o Dia do Arqueólogo. Através dessa iniciativa, a presidenta da entidade, Denise P. Schaan, conclama os arqueólogos brasileiros a trabalharem no sentido de sensibilizar a população a conhecer o patrimônio arqueológico que a rodeia. A data escolhida diz respeito ao dia em que foi sancionada a Lei Federal 3.924, em 1961, a qual “garante a proteção aos monumentos arqueológicos e pré-históricos de quaisquer naturezas existentes no território nacional, colocando-os sob a guarda e proteção do poder público, e considerando os danos ao patrimônio arqueológico como crime contra o patrimônio nacional. No ano de 2007, no Rio de Janeiro, instituiu-se a Lei Municipal 4.540, de 9/7/2007, que estabeleceu o dia 26 de julho como o Dia do Arqueólogo” (Carta da SAB-Nacional, 2009).

Arqueologia é a ciência que estuda as sociedades humanas a partir de vestígios materiais produzidos por diversas culturas. O arqueólogo é o profissional que investiga as relações sociais do passado e analisa os diversos vestígios, como artefatos, construções ou modificações da paisagem. Por isso, diferentemente dos historiadores, que se baseiam em documentos escritos, os arqueólogos decifram o passado através da cultura material, que muitas vezes revelam uma história que não foi escrita – portanto, esquecida nos documentos oficiais.

No Brasil, contamos com um patrimônio arqueológico diversificado que precisa ser estudado. O estado de Santa Catarina não fica para trás. Representando a pré-história catarinense, temos no litoral os maiores sambaquis do Brasil. Na encosta da serra geral, encontramos sítios de caçadores-coletores antigos e dos Xokleng. O planalto catarinense é repleto de casas subterrâneas e estruturas anelares cerimoniais. O início da colonização europeia também deixou suas marcas, que são estudadas pelos arqueólogos: casarios açorianos, taipas dos caminhos das tropas, estruturas de engenhos e diversas outras que representaram a economia e cultura desse período histórico. Temos também o patrimônio sub-aquático, que continua sem a devida visibilidade.

Apesar da Lei 3.924 ser de 1961, nossa região ainda não conhece o patrimônio arqueológico, que continua sendo destruído. Na semana passada, a equipe do Grupep-Arqueologia/Unisul levou um pesquisador da Universidade Federal de Viçosa (MG) para conhecer o maior sambaqui do mundo, na localidade de Garopaba do Sul, em Jaguaruna. Para nosso espanto, nos deparamos com diversas marcas de pneus de motos sobre esse importante monumento. Apesar das placas indicativas e cercas protetoras, os praticantes de motocross não estão preocupados com a sua história e continuam destruindo nossos sítios arqueológicos.

Esse é apenas um exemplo da depredação que ocorre rotineiramente no complexo lagunar sul catarinense, que possui o maior número de sítios arqueológicos do Brasil, visitado com frequência por cidadãos do mundo inteiro. Teríamos muitas outras “façanhas”, como áreas invadidas, construções irregulares, aberturas de estradas e retirada de material para aterro. Essas e outras ações demonstram o desconhecimento da população sobre esse patrimônio, que fornece pistas importantes para a construção de um futuro menos caótico e desordenado.
O Grupep-Arqueologia/Unisul considera que nossa região deve ser cada vez mais valorizada. Por isso, a partir desse ano, nossa equipe comemorará o Dia do Arqueólogo e, de 26 a 31 de julho, promovemos em Tubarão, Jaguaruna, Laguna e demais municípios da Amurel a Semana da Arqueologia.

Participe você também. Procure conhecer mais sobre nossos sítios arqueológicos. Visite um sambaqui, conheça os museus que guardam esses materiais, percorra as páginas da internet, como a do Grupep (www.grupep. arq.br). Converse com os clubes de motoqueiros e jipeiros e aponte a importância histórica desses sítios. Construindo essa cultura de preservação, faremos com que Tubarão e região continuem sendo referência nacional e internacional nas pesquisas arqueológicas.