Santa Catarina é um dos poucos estados  da federação que está totalmente dentro da vegetação dita Mata Atlântica. Os demais estados possuem ou possuíam apenas frações desta maravilha. É o que registra a magnífica obra “Mata Atlântica Patrimônio Nacional dos Brasileiros” editada pelo Ministério do Meio Ambiente no ano de 2010, recebido pela Acirj como cortesia por ser conselheira da APA da Baleia Franca. É um orgulho para todos nós, mesmo para os céticos e descrentes com o conceito de pátria.
 
Aqui, a zona núcleo desse modelo de biodiversidade, assim definida por ser a mais densa, coincide com o sopé e os contrafortes da Serra Geral. Vale a pena registrar como podemos conhecê-la, com mais detalhes, que, na verdade, coincide com os acessos aos campos de cima da serra.
 
Temos sete caminhos: 1) Rota do Sol no RGS (Terra de Areia-Cambará), 2) Praia Grande-Cambará Itaimbezinho (Serra do Faxinal), 3) Timbé do Sul – São José dos Ausentes (Serra da Rocinha), 4) Tubarão-Lauro Muller-Bom Jardim (Serra do Doze), 5) Tubarão-Grão Pará-Urubici (Serra do Corvo Branco), 6)Tubarão-Rio Fortuna-Anitápolis-Rancho Queimado (via BR-282), 7) Tubarão-São Martinho-São Bonifácio-Rancho Queimado (via BR-282). Todas estas alternativas são de beleza extraordinária. O trecho São José dos Ausentes-São Joaquim entre a Rocinha e o Doze, atravessando o Rio Pelotas, impressiona,  pode ser considerado como uma paisagem surrealista, exuberante, apesar da estrada de chão batido.
 
Agora chegando no tema do título deste texto, vamos nos deter no caminho Tubarão-São Martinho-São Bonifácio-Rancho Queimado (via BR-282). Obrigatoriamente, passa por Gravatal e Armazém, até chegar em São Martinho. Daqui, por rodovia de chão batido, vai-se a Vargem do Cedro, desviando na bifurcação para São Luís (terra de Albertina), já conhecida pelo turismo rural e religioso. Adentra-se, então, em uma estrada precária para São Bonifácio, situada 30 quilômetros ao norte. No percurso, curiosidades como casas com varandas quase na estrada, alambiques com cachaça fina, bares desses em que o jogador de sinuca vem na porta com o taco na mão para ver quem está passando, grutas, cruzeiros e vias sacras testemunhando a presença forte do cristianismo. E o verde denso da rica vegetação sempre presente. Ainda córregos de águas claríssimas, cristalinas que demandam às cabeceiras do Rio Capivari que, como sabemos, vem ao Rio Tubarão.
 
Finalmente, chega-se a São Bonifácio e, aí, a grande surpresa. Cidade pequena, bem cuidada, limpa, prédios públicos bem acabados, casas bonitas, enfim parece uma paisagem do interior da Europa. Serviços de boa qualidade, restaurante e padaria com doces e salgados excelentes, museu, uma praça em homenagem aos mortos na Serra da Garganta, duas igrejas (católica e luterana, conforme costume dos anglossaxões), um cemitério florido dando a impressão de que os mortos continuam fazendo parte da comunidade. Dali, segue-se para Águas Mornas e BR-282, com destino a Rancho Queimado, por rodovia  pavimentada com direito a dois mirantes com vista espetacular.
 
São Bonifácio está encravada e isolada entre o vale formado pela Serra do Tabuleiro, a leste, e a Serra da Garganta a oeste. Por estas características geomorfológicas, parece ser uma pérola na  Serra do Tabuleiro.