“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. É o que diz o artigo I da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A escravidão contemporânea é diferente da antiga, não obstante rouba também a dignidade da pessoa humana. “Na escravidão contemporânea, não faz diferença se a pessoa é negra, amarela ou branca”.
Os escravos são miseráveis, sem distinção de cor ou credo. Porém, tanto na escravidão imperial como na do Brasil de hoje, mantém-se a ordem por meio de ameaças, terror psicológico, coerção física e punições.

A ameaça de desemprego resultante de cortes nas empresas aumenta, significativamente, o nível de problemas de saúde entre os empregados. O processo de exclusão moral depende de se conseguir pôr na cabeça das pessoas certas idéias falsas.
Uma delas é o “mito do mérito”: as pessoas se convencem de que a vida é só para quem “merece”. (…) O mito do mérito é profundamente anticristão.
Para quem crê em Jesus, a vida é vista fundamentalmente como um dom que Deus nos oferece, independentemente de merecermos. Você merece mais que um salário mínimo!

Com um salário mínimo não se vive, se sobrevive. Você sobrevive numa selva, numa ilha deserta, numa guerra… Viver pede mais! Queremos paz, lazer, escola, educação, saúde, moradia, transporte.
Então, por que devemos aceitar a lei do mínimo? É sempre o mínimo esforço, um mínimo de honestidade, um mínimo de alegria, um mínimo de caridade.

Idolatramos aos quatro ventos o jeitinho brasileiro. Como vivemos? Você não nasceu escravo, nasceu livre. Você já analisou o porquê do mínimo?
Bem, se ‘ele’ não existisse, receberíamos talvez muito menos, ou nada. Mas talvez o nada fosse melhor. Acordaríamos deste sono. O sono da inércia, da acomodação. Pararíamos de achar que isso é normal, pois, na verdade, não é.

Passar fome, mendigar o pão, morrer por falta de remédio, e viver sem esperança não pode ser normal. Você não nasceu para ser escravo. Lute!
Nas eleições, renovam-se as esperanças. A sua arma é o voto. Não o troque, não barganhe, pois o homem que se vende recebe sempre mais do que vale.
Ora, mas que esperança pode ter o detentor do salário mínimo? Só pode pensar o mínimo possível. Dorme e sonha sempre o mínimo, para que possa render o máximo no dia seguinte.

É lá no seu “trabalho” que ele revela-se. Dá sempre o máximo de si, para receber no fim do mês o tão esperado mínimo. Nos fazem acreditar naquilo que vemos.
Hoje eu te digo: sonhe! Não deixe que te roubem a fé e a esperança.
Vislumbre uma mudança, almeje algo diferente, inconforme-se, planeje.

Nós, trabalhadores, somos o que este país ainda tem de melhor: não estamos envolvidos em nenhuma CPI, trabalhamos de sol a sol, clamamos, choramos, sentimos.
Você sente, você ainda é gente. Não se sinta cauterizado pelo medo. Abrace também esta minha indignação…

E no dia que formos uma verdadeira nação, talvez então possamos viver no mais alto padrão.
Afinal, se tudo é energia, sonharmos juntos já será o início da realização.
Um novo pensamento, uma nova vida, um novo horizonte, um novo paradigma.
Eis aí uma nova luz, uma centelha de vida.