Quem já ouviu falar de Huberto Rohden? Quem sabe que ele foi, seguramente, o mais importante filósofo moderno do Brasil? Quem sabe que ele escreveu mais de 60 livros sobre ciência, filosofia e religião? Quem sabe que ele lecionou na universidade norte-americana de Princeton, onde teve convivência acadêmica com o matemático e físico Albert Einstein? Quem sabe que ele nasceu em Santa Catarina?

Huberto Rohden, filho de imigrantes alemães, veio ao mundo no ano de 1893, em São Ludgero. Sua família fixou-se na barra do rio Pinheiros, naquele município no qual também nasceu o saudoso bispo dom Gregório Warmeling.
Formando-se padre jesuíta, em Porto Alegre, obteve, em seguida, forte lastro cultural, pós-graduando-se em ciências, filosofia e teologia, nas universidades de Innsbruck, na Áustria; Waclenburg, na Holanda; e Nápoles, na Itália.

Entre 1945 e 1946, viveu em Nova Jersey, como pesquisador e mestre da famosa Universidade de Princeton, onde conviveu, durante dois anos, com Albert Einstein. Desse convívio, nasceu a sua filosofia univérsica, pela qual ele põe em relevo a afinidade entre a matemática, a metafísica e a mística.

Sobre o gênio alemão, Rohden escreve: “Einstein foi o homem mais silencioso e solitário que eu conheci na minha vida”; “Ele estava a tal ponto abismado na física que perdera qualquer noção do tempo”; “A tal ponto se abismava Einstein em pensamentos abstratos que lhe tornava difícil prestar atenção a acontecimentos terrenos”.

Sobre a teoria da relatividade, escreve Rohden: “A teoria de Einstein está baseada numa visão de simultaneidade e ignora tempo e espaço”. Segundo ele, “nada é fixo, tudo é móvel; nada é absoluto, tudo é relativo. Tempo e espaço não são duração e dimensão estáticas, definidas, mas algo dinâmico, indefinido. Tudo está em perpétuo fluxo, efluxo, influxo, refluxo”.

Quando, no eclipse solar de 1929, a Real Sociedade Científica de Londres comprovou, com dois observatórios fotográficos (um deles em Sobral, no Ceará), que a luz estelar sofre uma deflexão rumo ao globo solar, sinal de que ela tem peso, obedece à lei da gravidade e propaga-se em linha curva, como Einstein afirmava, segundo Rohden, ele “ficou estranhamente indiferente em face dessa prova empírica, porque, para ele, o princípio criador da certeza reside na matemática, e esta certeza não pode ser adquirida nem destruída por nenhum fato concreto”.

Confesso que encontrei em Huberto Rohden explicações mais claras e didáticas sobre a teoria e o pensamento de Einstein do que em quaisquer outros biógrafos ou colaboradores (está tudo lá em Einstein, o Enigma do Universo, de Huberto Rohden, Editora Martin Claret, 15ª edição).

Fazendo coro com a perplexidade geral a respeito da Teoria da Relatividade, o grande Bertrand Russel afirmou: “Todos sabem que Einstein descobriu algo de assombroso, mas poucos sabem realmente o que ele fez”.
Dentre esses poucos, que não só souberam, mas foram capazes de descrever a inexcedível obra einsteiniana e desenvolver sobre ela um novo princípio filosófico, está esse nosso conterrâneo, infelizmente ainda anônimo para a maioria de nós, catarinenses e brasileiros.