Maurício da Silva
Mestre em Educação

Por meio de requerimento, na Câmara de vereadores de Tubarão, solicitei ao senhor Paulo Garcia, diretor municipal de Cultura, que iniciasse conversas, imediatamente, com os responsáveis pelas Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Tubarão, com o objetivo de iniciarem, também imediatamente, a busca de patrocínios e outros meios que viabilizassem o retorno do Carnaval de Rua em Tubarão, em 2018, sem a utilização de recursos públicos.

Tal prática foi verificada este ano, em muitas cidades e, aqui mesmo, em Tubarão, em 2013, na Zumbiafro, para mais de mil pessoas, com 16 grupos de dança de diversos municípios, feira de livros, palestras, café, almoço, troféus de homenagens, com recursos do próprio evento e apoio do comércio e da mídia local, sem gastar um único centavo público.

Quando se fala de carnaval, não se faz referência apenas à beleza das fantasias e alegorias, ao gingado dos corpos e ao ritmo dançante das baterias. Alude-se, também, e principalmente, ao resgate da nossa história e da nossa cultura, contadas na avenida, e de forma interdisciplinar. Ao aquecimento do comércio local, tantos são os apetrechos para colocar uma Escola ou Bloco na rua, à geração de emprego e renda – se movimentado o ano todo – e ao estímulo à vida comunitária, à disciplina, ao comprometimento e à solidariedade, como exige tal atividade.

É fundamental lembrar que, desde 2012, não ocorre carnaval de rua em Tubarão, quando, até então, milhares de pessoas lotavam os dois lados Avenida Marcolino Martins Cabral para ver, participar, aplaudir e torcer.

Na verdade, cobro todos os anos, desde 1994, da Tribuna da Câmara de Vereadores e, por meio de artigos, que o carnaval de rua de Tubarão seja realizado sem o uso de recursos públicos. Que se ‘quebre’ a prática de se falar de carnaval somente depois do Natal, restando como opção, não fazê-lo ou fazê-lo com recursos públicos, que há muito, não cumprem os deveres constitucionais com a saúde, educação, segurança e outros. Que o Município pode e deve motivar e ceder espaços para que as Entidades Carnavalescas promovam eventos que geram recursos durante o ano todo. Para facilitar, Tubarão tem, desde 1999, a lei municipal que “cria incentivos fiscais destinados a financiar projetos culturais”.

Criticar, não fazer ou fazer carnaval com dinheiro do povo é fácil. O necessário, contudo, é agir para que a crise não seja motivo para suprimir eventos – como os desfiles carnavalescos – mas para indicar que é possível e urgente fazê-los de outra forma.

A recente história dos desfiles carnavalescos de nossa cidade pode ser reescrita, já em 2018, se começar já, com inspiração, inclusive, no que já se fez de melhor por aqui.