Tubarão emplacou novamente na mídia nacional. Talvez na internacional, porque a rede Globo retransmite a sua programação para mais de 100 países. E não foi pelo seu 140º aniversário ou por suas potencialidades. Foi novamente por causa do presídio. Não pela hiperlotação ou pela inadequada localização que, por ser comum no Brasil, talvez já não chame tanta atenção. Foi pela agressão, filmada, do chefe de segurança contra dois presidiários.
Pelas imagens, eles são ameaçados na chegada, ou melhor, no retorno, porque haviam sido transferidos após uma rebelião e, no interior do presídio, são espancados seguidamente com chutes e cotoveladas.

Não é a primeira vez que o nosso presídio emplaca no noticiário nacional, pela singularidade dos fatos. Há alguns meses, um presidiário foi flagrado em cidade vizinha, numa viatura oficial e a explicação do então responsável pela casa é que o autorizara a ir a sua residência buscar um notebook para auxiliar nos serviços burocráticos do presídio. Estes dois fatos, que divulgaram negativamente a cidade, permitem entrever que, em relação ao presídio e com consequência para a segurança da cidade, não basta retirá-lo do coração do bairro Humaitá, tampouco ampliá-lo, como de fato está sendo feito. É preciso também tomar algumas e imprescindíveis atitudes.

A primeira é providenciar para que os presos possam trabalhar, estudar, e participar de oficinas, o que comprovadamente diminui a reincidência e facilita a ressocialização. A segunda é bloquear o sinal de celular nos arredores, como algumas cidades já conseguiram fazer. Só não se compreende por que todas ainda não obtiveram tal êxito. Outra urgente atitude é adquirir o hábito de acompanhar e corrigir, quando for o caso, a conduta de quem lá trabalha. Não se fazem aqui acusações generalizadas, mas estes dois casos levantam inquietações que recomendam investigação, capacitação e providências na forma da lei. Eles foram os únicos ou fazem parte de uma rotina que alguém decidiu denunciar? A denúncia se deu pelo estrito cumprimento do dever ou por disputas internas? Por outro lado, revisar conduta faz parte de toda instituição que quer cumprir os propósitos para os quais foi criada.

Não se está defendendo nem justificando a conduta dos presos. Eles precisam cumprir as penas determinadas pela justiça, conforme o ritual previsto no regimento do presídio. E, em caso de descumprimento, que se apliquem também as sanções ali previstas, mas jamais se chegue à fúria pessoal de quem quer que seja, muito menos do chefe de segurança, aquele que deveria dar exemplo. É preciso que as regras sejam cumpridas e que se faça justiça tanto para os presos quanto para quem cuida deles. Do contrário a barbárie se expande.
Que se louvem os esforços do atual diretor na busca de um presídio que seja modelo.