Muito se fala nos congressos, nas palestras e em publicações sobre a importância da educação física escolar como um meio para disciplinar e desenvolver a criança, o adolescente e o jovem física, cultural e saudavelmente, dando-lhes mais qualidade de vida e incentivando-os nas diferentes modalidades esportivas.
 
A educação física, especialmente contemplada na Lei de Diretrizes e Bases, em seu artigo 26, parágrafo 3º, não está dissociada dos objetivos primeiros da educação escolarizada, sendo inegável sua contribuição para a formação das pessoas que dela participam.
 
Os anos 2009 e 2010 foram eleitos Anos da Educação Física Escolar. Que educação física escolar? Não podemos continuar assistindo a um declínio acentuado do status da educação física com redução de carga horária, aulas geminadas, recursos materiais precários e inadequados, instalações e quadras esportivas em péssimas condições, inacabadas, mal construídas, padrões pedagógicos sedentários, professores mal preparados e sem vontade de trabalhar, desmotivados. Tudo isso aliado ao descompromisso por não haver um órgão gestor governamental que regulamenta a educação física escolar. Não existem programas de atividades físicas determinados a ser cumpridos pelos professores de educação física, no ensino fundamental e nem no ensino médio.
 
São poucos, muito poucos os professores de educação física que ainda procuram administrar alguns exercícios de formação corporal, mas, sem rendimento algum por falta de instalações e materiais e os alunos sem a obrigação de um traje adequado. A maioria dos professores atira uma bola e deixam os alunos fazerem o que bem entendem sem nenhuma orientação pedagógica, ordem e disciplina e nem obrigação de participação.
 
A educação física escolar precisa exercer e ocupar seus papéis pedagógicos, formativos, educacional, desportivo, preventivo da saúde e de bem-estar. Este foi o tema do 3º Fórum de Educação Física Escolar realizado entre os dias 11 e 13 de janeiro de 2009 em Foz do Iguaçu (PR). Mas fica claro que o tratamento dado a educação física escolar são meros discursos futuristas que não apontam caminho nenhum. Na medida da conveniência se faz propaganda que se pratica física e desportos nas escolas, o que é um grande equívoco e uma grande inverdade, pela precariedade das condições de trabalho e ineficiência da infraestrutura no setor da educação física escolar. Permanece a impressão de que nem mesmo as universidades estão discutindo a educação física escolar e sim se preocupando com a formação dos professores como uma ação formal para atender as recomendações e diretrizes do Ministério da Educação.
 
A experiência de educação física deve transmitir os métodos de se viver uma vida ativa, agradável, significativa, satisfatória e saudável, na qual a independência, a autossuficiência e a habilidade de caminhar por si mesmo são atingidas. Os educadores físicos não podem dar-se por satisfeitos apenas com valores imediatos.
 
Investir na criança, no adolescente e nos jovens é fundamental para uma sociedade ordeira, segura, ética, responsável e saudável. Devemos ocupar o tempo ocioso da juventude com atividades lúdicas, artísticas, culturais, saudáveis, para que não caiam no vício das drogas, do alcoolismo no futuro. A revista Veja, no início do ano (abril/2011), trouxe um artigo sobre a obesidade do brasileiro. “Em meados da década de 1970, uma pesquisa do IBGE revelou que 18,5% dos homens e 28,7% das mulheres estavam com o peso acima do ideal. Trinta anos depois, o percentual saltou para 50% entre os homens e 48% entre as mulheres e 30% das crianças entre 5 e 9 anos já apresentam colesterol e níveis de açúcar no sangue alterados”.
 
A melhor solução é iniciar desde cedo, investir e ensinar as gerações sobre a importância e a necessidade da atividade física e do esporte para uma vida saudável em todas as etapas.