Segundo a psicologia, a fase da adolescência passou dos 15 anos para os 20 anos ou mais, nos dias de hoje.
Os jovens são mais dependentes e saem da casa dos pais, quando saem, com idades mais avançadas.

Isto contribui, de alguma forma, para a definição de sua futura profissão. Como ainda não têm bem claras as suas preferências, podem começar um determinado curso, e, em seguida, pensar em trocá-lo por algo hipoteticamente bem mais promissor.
Não bastasse a indefinição ou definição precoce, muitas vezes, sentem-se acuados inconscientemente pelos pais – os que desejam ver seus filhos fazendo aquele curso de graduação que eles mesmos não puderam fazer, ou, ainda, os que esperam que os filhos deem continuidade à carreira paterna.

Recentemente, soube que alunos reclamaram em seminário realizado numa determinada instituição sobre suas motivações pelos estudos nos cursos regulares de graduação. Falta motivação? Mas, pensemos melhor, o jovem ou a jovem está cursando o que realmente quer? Ou pensa, – e, principalmente, pensam seus pais -, que, após formado, vai continuar o negócio que os pais começaram? Se os cinco dedos de nossa mão são diferentes entre si, imaginem nossos filhos em relação a eles mesmos e em relação a nós, os pais.

Todos somos diferentes, temos valores diferentes, anseios diferentes, motivações diferentes, crenças diferentes, então, como podemos querer que nossos filhos tenham as mesmas motivações que tivemos, quando começamos nossos empreendimentos?
Sabemos o que realmente nos motiva em nossos negócios. De minha parte, penso ser aquela sensação de realização, de inovação, de criação, etc. E, isto, dificilmente, conseguimos passar para quem nos substitui ou vai nos substituir.

Também existem alunos desmotivados pelas escassas perspectivas de emprego, e aqueles que certamente estão fazendo um curso oferecido pelo mercado e espelhando profissionais já muito bem sucedidos. Em qualquer alternativa, uma grande maioria se esquece de que estes mesmos profissionais dedicam-se de “corpo e alma” ao que fazem. Na verdade, não existe profissão menos ou mais rendosa, todas têm seu espaço no mercado de trabalho.

Há algum tempo, um amigo meu disse que a sua filha cursou psicologia, profissão sem futuro, e que deveria ter feito direito ou medicina, ao que lhe respondi, conheço profissionais da área de psicologia que hoje trabalham menos que muitos médicos e possuem um rendimento muito maior. Na autobiografia de Lee Iacocca, que cursou administração, e que tirou a empresa Chrysler da falência na época, ele nos conta que a disciplina daquele curso que mais o ajudou foi a de pscicologia. Significativo, ou não?

Somos livres e temos livre arbítrio, portanto, é importantíssimo respeitarmos as outras pessoas e, principalmente, se estas outras pessoas são nossos próprios filhos. Todos queremos filhos bem sucedidos, mas, antes de tudo, filhos saudáveis e felizes. E isto só se consegue quando somos congruentes com nós mesmo, fazendo aquilo que realmente queremos e de que efetivamente gostamos. Um bom ponto de partida para os nossos filhos, concorda?