Reportagem da conceituada revista Exame (20-10-2010), intitulada “4 ideias para Avançar na Educação”, provocou um misto de satisfação, frustração e esperança.
Tais ideias, defendidas por especialistas, dentre eles o americano Erick Hanushek, doutor em economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e professor da Universidade Stanford, se efetivadas, dariam “um choque de qualidade nas escolas”, condição para que o Brasil consiga desenvolver-se.

Estas concepções geraram satisfação, porque já as havíamos colocado em prática, sem gastar um centavo, em 2003, quando à frente da gerência regional de educação em Tubarão. Sentimo-nos frustrados por terem sido abandonadas, porém esperançosos de que sejam retomadas e aperfeiçoadas. São elas:

1. Acabar com a bagunça curricular – “nove entre dez alunos de escolas públicas não cumprem o currículo previsto e outros, da mesma série, mas de classes vizinhas, estudam conteúdos diferentes durante o ano”. Atacamos estes problemas, organizando, com todos os professores, os conteúdos das variadas disciplinas e séries. Posteriormente, elaboramos instrumentos de avaliação que permitem ao professor, alunos, pais e direção verificarem, em cada avaliação, se há coerência entre os conteúdos previstos, os trabalhados e os cobrados, bem como o desempenho dos alunos em cada um.

2. Diagnosticar, planejar, medir “o desempenho de alunos e de metas de melhoria do ensino”. Elegemos indicadores (evasão, repetência, faltas de alunos e de professores) que, medidos bimestralmente pelas escolas, serviam, pós conselhos de classe, para redimensionar as ações de pais, alunos e professores, como também para elaborar, no início do ano letivo, o planejamento de cada escola. Os indicadores da região e as metas para o ano em curso, com os respectivos métodos para alcançá-las, ficavam expostos em painéis, na entrada e no 2º piso da Gerência de educação. Todos sabiam onde estávamos, para onde pretendíamos ir e como faríamos para chegar lá.

3. Pagar mais aos melhores “é um caminho obrigatório para estimular os bons profissionais a permanecerem na sala de aula e os ruins a saírem dela. É absolutamente necessário para melhorar o ensino de uma escola e de um país”. Os indicadores acima citados constituíam a base para avaliar e, posteriormente, para premiar. Só não o fazíamos porque não havia autonomia financeira para isto.

4. Transformar o diretor em gestor escolar “porque este, em geral, dedica a maior parte do tempo a atividades burocráticas e pouco chama para si a responsabilidade sobre desempenho de professores e alunos”. Capacitamos o diretor para que pudesse articular internamente a escola e esta com a comunidade, objetivando o alcance das metas citadas na ideia 2, através do rápido e eficiente atendimento aos alunos com dificuldade de aprendizagem ou de comportamento.

Instituímos ainda, entre outros, o planejamento bimestral, quando todos os professores, orientados por monitores, capacitados pela gerência de educação, estudavam e trocavam experiências sobre como preparar as problematizações e as historicizações dos conteúdos – o que tornava as aulas significativas.
Não foi por acaso que Tubarão conquistou IDH educacional acima da média catarinense.