O livro infantil da autora Jandira Masur chamado O frio pode ser quente é uma obra que parte de exemplos cotidianos e, através de imagens e frases curtas, mostra que as coisas podem ser diferentes, conforme o jeito como são vistas. A proposta é que tudo depende da maneira como a gente vê. É verdade que “as coisas têm muitos jeitos de ser…”. Simples, mas essencialmente verdadeiro.

Lembrei destra obra quando li, neste dia 26: “Derrota põe fim à carreira de Guga”. É verdade, tudo depende da maneira como a gente vê… Estou ainda tentando “ver” do jeito que o autor da frase “viu”. Confesso minha dificuldade.
Pensar em derrota no caso de Guga Kuerten parece-me cruel e pequeno. Quando ele foi derrotado? Ao jogar neste domingo com Paul-Henri Mathieu perante um estádio embalado por aplausos de veneração ao ídolo… o brasileiro? Talvez ele tenha se sentido derrotado em maio de 1985 quando seu pai, Aldo Kuerten, faleceu aos 41 anos, arbitrando uma partida de tênis.

Pode ter experimentado o sabor amargo da derrota ao perder também seu querido irmão Guilherme, aquele pelo qual nutria enorme amor e respeito. Perder quem amamos sugere uma imensa sensação de derrota, pois não nos resta nada mais se não aceitar a dor e o vazio. Mas estas perdas não derrotaram o grande “manezinho”, que se manteve em seu caminho de luta, coragem, determinação e conseqüentes conquistas.

Aquele que vê derrota e finalização de carreira para Guga Kuerten não consegue enxergar além dos pontos marcados ou perdidos nas quadras. Seu trabalho enquanto esportista, empresário, empreendedor e ser humano engajado em ações sociais indica que sua carreira não tem fim, mas pode ser, de verdade, o início de tantas outras histórias vitoriosas e bem sucedidas que certamente serão embaladas e motivadas pela pessoa Guga.

É de ídolos humanamente vencedores, dignos e corajosos que necessitamos. Vencer é o verbo deste herói moderno, de acordo com seu tempo, que se mostra perante seus fãs de maneira simples e humana a cada aparição. Se Guga foi derrotado, por algumas ocasiões nas quadras, onde há somente dois possíveis finais, de que isto importa verdadeiramente no dia de hoje? De fato, o legado deste jovem esportista perpassa em muito os pontos sofridos nas quadras. Ele, quando questionado sobre seus medos, respondeu: “Não tenho”.