Mencionamos diversas vezes, – e nem precisava, porque a mídia mostra diariamente – o protagonismo dos jovens, como autores ou como vítimas, nos altos índices de violência que amedrontam o país e mais recentemente Tubarão.
Das pessoas assassinadas em nossa cidade, 70% possuíam 20 a 32 anos de idade. Os autores também eram, na maioria, jovens. Das 146 ocorridas na Grande Florianópolis, em 2009, também 70% tinham entre 12 e 24 anos. No Brasil, 54 jovens são assassinados por dia e nas prisões 60% dos encarcerados têm 18 e 19 anos.

Dentre os 14 projetos que objetivam prevenir e combater a violência em nossa cidade, está o que preconiza a capacitação e o trabalho para adolescentes e jovens, principalmente os mais carentes. Não que apenas estes possam ser alcançados pela violência, mais são os mais suscetíveis. Quando mal orientados, sem perspectiva e desqualificados para o mercado de trabalho, tornam-se presas fáceis do tráfico. O objetivo é colocá-los noutro caminho, que não o da droga, para ganharem dignamente o sustento.

Na verdade, o jovem, de forma geral, é vítima do desemprego (16%), enquanto entre os adultos a taxa é de 5,5%.
O encaminhamento destes – mesmo quando qualificados -, para o mercado de trabalho, enfrenta, além da solicitada experiência – que só obterão se tiverem oportunidade -, a legislação que os impede de trabalhar. Como superar esta barreira? Como as empresas de Tubarão podem cumprir a sua função social, contribuir para a paz e para segurança, qualificando e empregando jovens, sem serem punidas pela citada lei?

Conselho Municipal de Segurança, Acit, CDL, OAB e Vipel começaram com quem já faz isto muito bem na cidade e pode servir de modelo para que outras empresas também o façam. Para isto, conheceu-se “in loco” a parceria Tractebel – Combemtu, que já capacitou aproximadamente 220 jovens, sendo que muitos foram empregados na própria empresa e em parceiras. Ouviu-se o depoimento dos que passaram pelo programa e visitou-se os no trabalho. Mas, como levar esta magnífica possibilidade de intervenção social às demais empresas? Talvez tantas outras fazem, mas não são de nosso conhecimento.

Solicitou-se aos gestores do programa da Tractebel e Combemtu para que, juntos do CIEE (Centro de integração Empresa e Escola), preparassem uma prévia do que seria um Workshop para ser apresentado a empresas de nossa cidade. Tal prévia ocorreu, num memorável encontro, em que o senhor Alberto Botega, experiente líder empresarial, representando a secretaria municipal de indústria e comércio, da qual é adjunto, classificou-o como o melhor que participou em toda a sua vida.

De fato, foram feitos todos os esclarecimentos para que as empresas possam, com tranquilidade, qualificar e contratar jovens sem temer a legislação. Acit e CDL, sempre representados pelos seus respectivos presidentes, anunciaram que o referido workshop ocorrerá oportunamente em promoção com o Conselho Municipal de Segurança, prefeitura e OAB, Vipel, etc.
Acreditamos que Tubarão está encontrando o caminho que possibilita coadunar desenvolvimento com equidade social e preservação do meio ambiente, logo com qualidade de vida e segurança.