Para adentrarmos na realidade do varejo contemporâneo, é preciso que busquemos em sua origem os motivos que fizeram do comércio uma atividade dinâmica, altamente competitiva e que requer motivação e superação a cada instante.

Os fenícios foram os precursores do comércio no mundo. Por meio de embarcações chamadas de *nau fenícia e das famosas rotas marítimas, eles faziam chegar às civilizações mais longínquas os produtos de consumo da época. No ano de 1400 a.C., os fenícios dominaram as rotas comerciais, anteriormente controladas pelos cretenses, que ligavam a região da Palestina ao litoral sul do Mediterrâneo.

Na trajetória da civilização fenícia, diferentes cidades imprimiam a sua hegemonia comercial na região.
O que nos primórdios era itinerante, no presente ganhou pontos físicos concentrados em espaços nobres, visual atraente e comodidade nas instalações, mantendo-se, no entanto, a essência do atendimento às necessidades dos consumidores.
Evoluído e em constante mutação, devida a salutar concorrência às lojas armam-se de facilidades visando chegar primeiro na dura batalha de conquistar e manter clientes.

Nessa luta, adotar a estratégia dos fenícios, levando o produto à casa do freguês. Nesse caso, o lojista ataca por dois flancos: de ponto físico e de vendedores itinerantes, com os famosos “condicionais”, oportunizando que o cliente prove e escolha com paciência em sua casa vários produtos lhe entregues em domicílio.

Feita esta introdução, comenta-se passado e o presente que marca a história dos comerciantes para chamarmos a atenção a um fator que carece de investimentos por parte dos lojistas e de incentivo dos poderes públicos. É preciso, é premente, a criação de um programa de qualificação continuada do varejo, tanto para os empresários lojistas quanto para seus colaboradores, que na prática são os profissionais que estão à frente das lojas.

O modelo de gestão, a modernização, a comodidade ao consumidor estão corretos, mas falta investimento na qualidade do atendimento de nossas lojas. E não estamos falando de cursinhos relâmpagos, isto ocorre de vez em quando, mas resolve quase nada ou muito pouco. É abstrato o resultado de um cursinho de 12 horas para consultores em vendas que vão lidar e atender todos os tipos de consumidores. No dia-a-dia, lidamos com pessoas felizes e com pessoas tristes; clientes mal atendidos que reclamam e clientes mal atendidos que não esboçam reação momentânea.
E acreditarmos que está tudo resolvido com uma palestra ou com um único curso!

Não há como negar que precisamos de programas continuados de qualificação, que contenham ferramentas mensuradoras de resultados. Vejamos estes exemplos da importância da qualificação e requalificação:
• Os profissionais liberais (médicos, advogados, engenheiros) investem em estudo por mais de seis anos para estarem aptos a exercerem as suas profissões;
• Após sua formação, para poderem competir no mercado, estes profissionais investem outros anos em pós-graduação, doutorado, cursos de especialização, congressos, etc.;

• Os artistas, antes de entrarem em cena, preparam-se, ensaiam, ensaiam e ensaiam para não fazer feio frente ao seu público;
• Os atletas, não diferentes, treinam em coletivo, treinam individualmente, treinam jogadas ensaiadas, para competir, para serem vitoriosos e para ganharem o apoio, o carinho e o aplauso da torcida…
E nós, profissionais do varejo, das lojas, o que fazemos para termos e sermos equipes campeãs?
As lojas que compreenderem a importância de terem uma equipe comprometida com a qualificação, certamente, merecerão a preferência do consumidor.