Terça-feira passada, o presidente Lula apreciou a Medida Provisória nº 475/09 com as emendas da câmara dos deputados e do senado, alterando para 7,72% o reajuste de 6,14%, dado aos benefícios do INSS em janeiro deste ano e aprovando o fim do fator previdenciário.

A decisão do presidente foi de sancionar o reajuste de 7,72% e vetar o fim do fator previdenciário. Portanto, o fator previdenciário está mantido e continuará prejudicando os trabalhadores que se aposentarem por tempo de contribuição.

Enquanto a grande mídia e a área econômica do governo pressionavam pelo veto total das duas matérias, a área social do governo e os movimentos de aposentados e sindicais clamavam pela aprovação de ambas.

O assunto é tão polêmico que o presidente deixou para decidi-lo no último dia do prazo. Aspectos econômicos, sociais e políticos, sobretudo por estarmos em ano eleitoral, influenciaram sobremaneira todo o processo legislativo, das votações nas casas legislativas à decisão do presidente.

Quanto ao reajuste dos benefícios
Importa aos segurados do INSS saber que o reajuste de 7,72% é retroativo a janeiro deste ano, porém, descontam-se os 6,14% já concedidos. Portanto, existem valores atrasados a receber referentes à diferença de 6,14% para 7,72%.

O reajuste não é exclusivo para aposentados, pois atingirá todos os benefícios previdenciários, tais como pensões por morte e auxílios. Mesmo os benefícios temporários já cessados, casos de auxílios-doença, com data de início antes de janeiro de 2010 e cancelamento posterior, terão direito aos atrasados da diferença do reajuste.

O índice refere-se à inflação medida pelo INPC entre 1º de fevereiro de 2009 e 31 de dezembro de 2010, mais 80% do crescimento do PIB do ano de 2008, a título de aumento real.

Para os benefícios com data de início após 1º de março de 2009, o reajuste será proporcional aos meses de manutenção.

Quanto ao fator previdenciário
Com o veto do presidente ao fim do fator previdenciário, as regras do jogo continuam como estão.

Tecnicamente, o veto presidencial deverá ser apreciado pelo congresso, podendo ser aprovado ou rejeitado. A rejeição ao veto do presidente implicaria a extinção forçada do fator previdenciário.

Porém, questões de ordem técnica e política indicam poucas perspectivas para a apreciação e/ou rejeição do veto.

Do ponto de vista técnico, temos dois problemas: a) a apreciação do veto é de competência de reunião conjunta da câmara dos deputados e do senado, fato que não ocorre com muita facilidade; b) enquanto a votação da MP com as emendas se deu por maioria simples, ou seja, metade mais um dos presentes na sessão de cada casa legislativa; a rejeição do veto depende de maioria absoluta, ou seja, não basta o voto da maioria dos presentes na sessão pela rejeição, depende do voto de metade mais um do total de congressistas.

Do ponto de vista político, igualmente temos duas complicações: a) o fato de que muitos deputados e senadores votaram pelo fim do fator previdenciário, declaradamente, pressionados pelo processo eleitoral; b) no caso do veto, a votação será secreta.

De outro lado, é importante registrar que a votação do fim do fator previdenciário não guarda qualquer relação com aquele projeto negociado com as centrais sindicais no primeiro semestre de 2009. Portanto, não inclui questões como a fórmula 85/95 e a mudança de cálculo do benefício pela média das 70% maiores contribuições do período de cálculo.

Sendo assim, é muito provável que ocorram novas negociações para alterar as regras de cálculo dos benefícios, principalmente para amenizar os efeitos negativos do fator previdenciário.

Deste modo, continua sendo prudente aguardar o desfecho do assunto antes de requerer benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. Pois, além de não estar encerrada a questão, nenhuma das medidas até o momento apresentada prevê efeito retroativo em caso de extinção do fator previdenciário.