O crescimento da violência em Tubarão, ainda menor que em muitas cidades com o mesmo número de habitantes, é sentida na pele, nos registros diários dos veículos de comunicação da cidade e nas estatísticas. Em 2008, foram cinco homicídios (a média anterior era 1 por ano ). Em 2009, saltou para 11 e, nestes primeiros cinco meses de 2010, já são 11, sem contar furtos e assaltos em residências, carros e pessoas.

Esta progressão aconteceria com afrouxamento dos limites e dos valores, com a globalização da picaretagem e da impunidade, com o crescimento natural da cidade, em muitos setores de forma desordenada; mas foi acelerada com o aumento dos usuários de droga, principalmente o crack, que vicia na primeira experiência, é responsável pela quase totalidade das ocorrências policiais e ganhou dimensão de epidemia nacional. Todavia, poderá aumentar ainda mais, se não nos anteciparmos, como um dos efeitos colaterais do bem-vindo progresso, resultante das obras a tanto reivindicadas (duplicação da BR-101, Aeroporto Regional e outros).

Por isso, o Conselho de Segurança – reforçado por mais voluntários, prefeitura, CDL, Acit, Unisul, OAB e outros, principalmente depois da mega audiência pública, motivada pela ocorrência do 5º homicídio nos primeiros 56 dias deste ano – (re)organizou grupos de trabalho e elaborou planos de ação, objetivando prevenir e combater a violência em nossa cidade.

Desde 2006, alertas vêm sendo feitos, leis elaboradas, seminários e forças-tarefas realizados. As ações multiplicam-se, chegando a vez dos bairros. Nesta quarta-feira, estaremos no bairro Morrotes (depois no Jardim Floresta e no Fábio Silva), na escola João Teixeira Nunes, para implantar ou reforçar programas preventivos. Em ação conjunta, a empresa Amilton Lemos, Unisul, prefeitura, através do Cras local, igrejas verdade que liberta e católica, Polícia Civil, Rotary Clube Tubarão Sul, direção e funcionários da escola, trabalharão: 1) com os alunos (liderança positiva, esperança, afetividade, vida saudável, realização de sonhos); 2) com os pais (curso de pedreiro e escola de pais); 3) e com os professores (vivência e avaliação de “atitudes”); e, 4) ampliação das áreas de lazer no bairro.

Não é tudo o que projetamos. Faz-se necessário também conter a ocupação desordenada e implementar a urbanização do bairro, mas é o possível neste momento. Trabalharemos para avançar durante a caminhada, que será longa.

A coordenação é da própria escola e de líderes da comunidade que, mensalmente, com o conselho, avaliarão, através de instrumento próprio, a eficiência das medidas a partir de indicadores selecionados.

O sucesso desta tarefa depende da, a) ampliação da visão de segurança pública; b) disposição para contrariar interesses poderosos; c) superação de egos; d) ação articulada das polícias e da sociedade civil organizada; e) engajamento da comunidade local; f) trabalho voluntário.

É o mínimo se quisermos crescer, e oferecer mais oportunidade sem perder os status de cidade ainda segura.