No feriado de Carnaval tive a oportunidade de passar bons momentos com meus familiares, em Braço do Norte. Lendo o jornal local, havia uma propaganda da prefeitura, mais precisamente da secretaria da saúde, nestes termos: “Aids não tem cara. A doença está sempre escondida. Use camisinha, é a única proteção”. É sobre essa propaganda que desejo propor uma reflexão hoje, com você leitor.
 
Primeiro: A síndrome da imunodeficiência adquirida, mais conhecida por Aids (em inglês a sigla seria Sida) ou outras DSTs parecem ter cara e endereço bem conhecidos, ao contrário daquilo que foi veiculado. Exemplos: transfusão de sangue, sexo desenfreado, vários parceiros… Ou seja, é possível preservar-se tendo alguns cuidados básicos, tanto no campo da moral sexual como no campo da saúde.
 
Segundo: se a doença está sempre escondida (coisa que não é verdadeira, pois se pode contrair a síndrome sem ter consciência, por exemplo, em uma transfusão sanguínea inevitável após uma hemorragia), porque procurá-la, no caso da vivência da sexualidade sem parâmetros, da instabilidade das relações, de modo que tudo vale, tudo é permitido, tudo convêm?
 
Terceiro: está mais do que claro que camisinha não é a única proteção. E nem é preciso explicar muito… Quem não leva vida sexual promíscua, quem leva a sério a vida sexual como indicam os princípios humanos e cristãos, por exemplo (em nossa região nunca ouviu-se falar de não-cristãos), não sofrerá esses riscos.
 
Evidentemente que, na vida de um casal, se um dos cônjuges possui o vírus da Aids, parece que a camisinha seria, sim, a única solução; contudo, pesquisas recentes concluíram e relataram que o vírus da Aids é menor do que os poros microscópicos existentes na matéria com que é feito um preservativo e, nesse caso, a camisinha, como a secretaria da saúde de Braço do Norte propagandeou, não é a única proteção.
 
Mas, é claro, o preservativo é o método mais seguro, pois o casal tem direito à vida sexual ativa; mas ressalto, não é o único meio de proteção. Em síntese, parece plausível dizer que a única proteção hoje, sem nenhuma chance de contaminar-se, diante da realidade da presença do vírus da Aids, é seguir as indicações morais que são propostas por grupos, na maioria religiosos e quase sempre combatidos pela mídia.
 
E então, fica o questionamento: não seria hora de investir também em propagandas, não partindo da oferta de preservativos, mas doutro modo, oferecendo reflexões que levem à conscientização da importância e da seriedade com que deve ser levada a vida sexual de cada pessoa? Quando se tem projeto de vida, esse deve ser construído sobre a rocha (cf. Mt 7,24). Evidentemente que, em uma construção, faz-se necessário também a areia (cf. Mt 7, 26), mas essa por si só não é suficiente, pois sem o barro ou cimento misturados, por exemplo, a chuva leva tudo adiante.
 
Em outras palavras: a areia é necessária na construção, mas na hora e na medida certa. A vida sexual entre homem e mulher também é indispensável, como complemento na vida do casal, contudo, essa também possui hora certa. Padre Zezinho, grande cantor, em uma de suas músicas já esclareceu: “Laranja lima também é doce no momento, mas logo após tem gosto amargo até demais. Quando o casal apressa esse sentimento, o gosto amargo é o da mulher que sofre mais”.