O momento em que uma sociedade vive reflete sua cultura, sua educação, suas políticas estatais e seus valores transmitidos e respeitados. Percebemos, ainda hoje, muitos atos e práticas atentatórias à igualdade, à dignidade da pessoa humana, à intimidade, à vida privada, ao bem-estar, à honra, etc. de nossa população. E, digo ainda hoje, pois a Constituição Federal do Brasil, que estabeleceu tais valores e ditames normativos, é de 1988, portanto, completa 20 anos este ano.

Ainda não vivemos uma geração humana, mas tivemos crianças e adolescentes que foram educadas sob o manto de uma Constituição Federal mais democrática e humanitária. Valores como os de uma sociedade livre, justa e solidária fizeram parte da educação dessas crianças que hoje estão constituindo novas famílias e educando novas crianças.

Serão preciso algumas gerações para que efetivamente tenhamos uma modificação cultural e social a ponto de minimizar ou, utopicamente, erradicar alguns males sociais que nos afligem. Males como os preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, etc. As várias práticas e formas de discriminação realizadas em nossa sociedade, o tratamento desumano ou degradante, entre outros.

O mal social que gostaria de tratar é o preconceito e sua consequência, a discriminação.
Ouso manifestar uma opinião do que seja preconceito. Entendo que preconceito é uma idéia (conceito) prévia sobre algo, partindo-se de um pressuposto alienado e/ou alienante, ou seja, baseado em noções falsas ou superficiais, que não necessariamente refletem o real (ignorância sobre as diferenças). O preconceito leva, por conseguinte, à discriminação, pois esta é a ação (ou omissão) da prática do preconceito, é a exteriorização violadora dos direitos.

Temos preconceito em relação aos homossexuais, aos doentes mentais, aos idosos, em relação às raças (negros, brancos, etc.), aos pobres, aos portadores de HIV, aos filhos adotivos, aos presidiários, em relação às religiões, etc. Temos preconceito até em relação à aparência das pessoas (feias, gordas, magras, baixas, altas, loiras, etc.).

Estudos sociológicos dizem que o preconceito leva à discriminação, à marginalização e à violência, ou seja, degrada a sociedade como um todo. E, além disso, devemos considerar os grandes danos que os preconceitos causam nas pessoas discriminadas e em suas famílias. Que sociedade estamos criando? Que ambiente estamos formando para as futuras gerações?

Devemos lutar contra os preconceitos e contra os preconceituosos. Devemos educar nossas crianças sem preconceitos. Devemos ter, além de um discurso, uma prática sem preconceito, sem discriminação. De nada adianta termos o reconhecimento mundial (direitos humanos) ou brasileiro (direitos fundamentais – CF/88) se não vivemos o não preconceito e a não discriminação.

Vamos combater o preconceito com educação e atitude para que o mal externado da discriminação seja extirpado como consequência. Em outras oportunidades, quero voltar a falar sobre esse assunto, sugiro o mesmo, conversem sobre preconceito e discriminação com seus pares, filhos, familiares, amigos, etc.