Foto: Kalil de Oliveira/Notisul
Foto: Kalil de Oliveira/Notisul

A tempestade com ventos de até 220km/h, que passou por Tubarão e região no último domingo, deixou marcas que serão difíceis de cicatrizar. Eu perdi 30 telhas, uma antena de TV, um colchão, um pequeno armário e tive avarias em um veículo. Não é absolutamente nada comparado à perda da família de Maria Clara de Souza, de 8 anos, que morava com os pais no bairro Guarda margem esquerda. A menina morreu após a queda de uma árvore em uma rua à beira do rio Tubarão, no bairro São João. Esta sim foi a principal marca deixada pelo fenômeno climático. A Cidade Azul, que está em situação de calamidade pública – decretada na tarde desta sexta-feira pelo prefeito Olavio Falchetti – foi, de longe, a mais afetada. Estava literalmente no olho do furacão, se assim fosse classificado. Como jornalista, produzi cerca de mil fotos, dois vídeos e 15 matérias nos últimos seis dias sobre o fato, além de editar cinco edições de um jornal impresso diário. O que me deixa mais intrigado, até agora, é o motivo que leva a Defesa Civil, principalmente, a não divulgar a real velocidade do vento.

Oficialmente, disseram que chegou à leve brisa de 97km/h. Faz um favor, se for para divulgar, emitam algo que combine com a realidade. Eu estava na rua, fotografando, de plantão no último domingo, minha moto caiu e foi arrastada, a árvore ao lado dela, com circunferência de quatro metros, foi arrancada com raiz e tudo. Outras duas ao lado desta caíram sobre a Ponte Dilney Chaves Cabral, que teve a sua placa de identificação soprada como papel a metros de distância. Vi pessoas caindo com a força dos ventos, galpões que demoliram como se fossem de isopores. Não foram 97km/h, ah isso tenho certeza! As rajadas chegaram a 220 km/h, conforme leitura do anemômetro instalado sobre a torre eólica na Engie. A média do vento foi em 122 km/h, a rajada mais forte (de 220km/h), foi registrada às 17h10min, e provocaram uma série de avarias. O governo federal anunciou algumas ações para minimizar os transtornos, principalmente dos tubaronenses. Mas pasmem!

Existe a tal da burocracia brasileira, outro empecilho para quem passou por uma situação tão amarga e assustadora. Tubarão, que é o polo econômico em uma região metropolitana composta por 20 municípios – que tem cerca de 400 mil habitantes -, está parcialmente destruída. Cerca de cinco mil das 8,5 mil empresas registradas no município foram atingidas. Empresários estão assustados, pois muitos dos seus imóveis não eram segurados. Qual será o resultado prático? A demissão em massa, claro. Se não há espaço para trabalhar, para que manter funcionário. Como pagar seus salários? Suas rescisões? Suas férias forçadas (não programadas)? Ainda não dá para mensurar qual será o tamanho da fila do Sine e do setor de seguro-desemprego da Caixa Econômica Federal nas próximas semanas. Uma coisa é certa, será grande!

Se a Defesa Civil divulga que a brisa foi de 97km/h, mas um aparelho exclusivamente desenvolvido para tal aferição contesta, apontando uma força bem superior, então é preciso investir melhor nos recursos materiais do poder público, já que vidas estão no meio e dependem de uma melhor precisão dessas informações. Mas também me surgiu uma dúvida quase cruel, que faço menção em contrariar: será que as autoridades estão omitindo dados do acontecimento climático de domingo? Por qual motivo esconderam que houve registro de rajadas que ultrapassaram os 200k/h. Isto é como se fosse a força de um furacão F2 – quando os ventos entre 175 km/h e 250 km/h podem causar danos consideráveis.

Telhados inteiros são levantados, grandes árvores arrancadas. objetos viram mísseis… Um fato é certo, não foi o primeiro, não será o último, então, para que não sejam perdidas mais vidas, queremos saber a realidade, por favor.