Numa tarde chuvosa, encontrei dois amigos (aquelas pessoas do bem!), como muitas outras existentes que sempre se dedicam a causas justas (eles apenas ajudam!). Para ser um pouco mais específico, tratava-se de ajudar um “desconhecido/turista em SC“. Era um pai que estava hospitalizado na Socimed/Tubarão, em virtude de um recente acidente na BR-101(Paulo Lopes). Ele acabara de perder uma filha de 22 anos neste acidente. Naquele momento, nada mais a fazer pela menina-moça, ou seja, mais uma “estrelinha” que se foi! Mais uma gota de orvalho, dentre uma enorme tempestade que se foi, deixando novamente um outro rastro de saudades e de dor. 
 
Passados alguns minutos (já na minha empresa!) e revisando alguns arquivos antigos, deparei-me com uma foto também antiga (ao centro) que retrata um acontecimento habitual em Tubarão e região (esta foto não refletia nenhum acidente na BR 101!), mas ilustrava mais uma vez o nosso provável futuro, de nossos amigos, de nossos irmãos, de nossos parentes, de nossos vizinhos ou mesmo de pessoas desconhecidos. Tudo é uma questão de tempo para vir uma tragédia similar. 
 
Mas volto ao enfoque principal, que é refletir sobre os repetidos acidentes na BR-101, aqueles gerados na insegurança e na falta de condições para tráfego (popularmente: “obras inacabadas“). Descaso de quem? Sim, claro, somos rápidos em dizer… do governo, dos políticos, dos governantes, das empreiteiras, da polícia rodoviária federal, do Dnit,  etc… Mas esta opinião diverge um pouco e o meu entendimento agora é que povo é realmente o grande culpado. Quando ficamos silenciosos em momentos tão importantes, ou seja, quando inexiste um “clamor verdadeiro“ no seio da sociedade para mostrar a quem de direito que não fazemos parte de jogos (apostamos nossas vidas!)… A verdade é que infelizmente temos motivos de indignação em excesso e nossos mortos totalizam uma enormidade. Então, o que falta?  
 
No dia seguinte, lendo o Notisul de 14/01/2011, a matéria era novamente sobre a falta de conclusão das obras na duplicação da BR-101. Em matérias que suas vidas estão em jogo, aconselho ler seguidas vezes, tantas quantas vezes se façam necessárias, para melhor entender a real dos fatos relatados! Acredito que só se faz algo realmente quando se entende verdadeiramente a questão. A referida matéria do Notisul começa assim “…Ninguém sabe, ninguém viu. O dito popular encaixa-se com uma luva na novela que se transformou a duplicação…”. A matéria é ampla e argumenta que não houve penalidades às empreiteiras pelo Dnit, que alguns entendem que a empreiteira voltará, que existe gente sem receber, outros falam que haverá nova licitação ou que nada acontece de importante, etc… Tudo errado (entendo que acontecem muitas coisas importantes e trágicas!), principalmente na perdas diárias de vidas. Errado (acontecem muitas coisas, e trágicas!), empresas estão deixando de se estabelecer em nossa região e certamente cada leitor terá o seu melhor entendimento do que está realmente errado. 
 
Talvez, eu esteja errado, mas pergunto? Onde está o Ministério Público? Onde estão os nossos juízes, promotores, advogados, delegados? Será que realmente existe em nossa cidade empresários e entidades empresariais, tais como: Amurel, Acit, câmara de vereadores e sindicatos organizados? Será que faltam grandes empresas e gerentes em nossa região com real interesse no bem-estar do seu povo? Por que este silêncio mortal? 
 
Lembre-se: não adianta dar notoriedade quando for apenas pela a auto promoção de alguns, isso é considerado silêncio. O justo é ver ações verdadeiras e de resultados efetivos, estas que servirão realmente para beneficiar o povo!
 
Agora, adoraria (sonhar ainda é livre! ver o povo ajudar numa coisa bem simples, com a finalidade de tentar mudar um pouco este panorama negativo! 
 
Vamos colocar alguém ou alguns verdadeiros responsáveis na cadeia? Vamos abrir processos indenizatórios em favor do povo? Vamos contratar alguém que possa realmente fazer a obra? E, para finalizar, vamos parar de lembrar dos anos 70 (época da ditadura!), onde nós e nossos pais nada falavam, nada faziam, nada questionavam com o medo da repressão. Lembre-se: infelizmente, isto foi uma das maiores “heranças negativas“ que recebemos!