O sorriso de Cacciola, estampado nas páginas dos jornais brasileiros, vale mais do que mil palavras. Não é provocação, mas sim, uma sintética declaração. Ele sabe muito bem do que ri.

Cacciola ri da prisão de Daniel Dantas, determinada e assinada por um juiz menor, que a fez baseada em provas e documentos, e na soltura de Daniel, ordenada pelo juiz maior. Do menor para o maior, o que aumenta não é a razão da justiça, mas as várias razões que a justiça pode ter para ela não ser!
Cacciola ri da liberdade de Daniel Dantas, que após declarar que no Brasil está tudo dominado por ele, está por aí, lépido e fagueiro, comprovando que aqui o crime compensa, e muito!

Cacciola ri da substituição do delegado Protógenes, homem que investigou, provou e prendeu os poderosos e fora da lei. Agora, ele está à margem do que descobriu e revelou ao Brasil. Tornou-se um marginalizado dentro da própria Polícia Federal, instituição que ele honrou e enobreceu. Meu Deus, que vergonhosa inversão de valores!
Cacciola ri da política nacional, dos políticos que ele têm na mão e que sempre usou e abusou. Tudo comprado baratinho e, depois, descartado na primeira eleição.

Cacciola ri da generosa justiça brasileira, aquele que o permitiu sair pela porta da frente do Brasil, lhe acenando com um afável ‘boa viagem’.
Cacciola ri das futuras mordomias que terá na prisão e na condução de seu caso, aquelas que já forma concedidas ao Lalau, ao Luiz Estevão, ao Paulo Maluf e tantos outros endinheirados que a justiça brasileira ousou prender.

Cacciola ri de mim, de você, de todos nós, pois após causar danos aos cofres públicos, de embolsar em uma só tacada cerca de R$ 1,5 bilhão, além de fazer tráfico de influência, gestão temerária e vários outros crimes, passou apenas 37 dias na cadeia e, depois, como prêmio por boa conduta, recebeu uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, determinado a sua soltura.
Cacciola, que é um estrangeiro, ri, na verdade, do nosso país, das nossas instituições, de nosso povo, dos nossos valores.

Cacciola ri de tudo que ele fez por aqui: alugou, comprou, corrompeu, chantageou, intimidou, festejou, roubou e foi feliz. Depois, foi dar uma voltinha pelo mundo, curtindo o que, com a ajuda das autoridades brasileiras, conseguiu amealhar por aqui. Como ele só nos vê como um bando de compráveis, alugáveis, uma pátria de mensaleiros, corruptos e corruptores, ele está tranqüilo, sorrindo de sua própria sorte, aquela que não resiste há algumas fitas e alguns cifrões!