As eleições deste final de semana revestem-se de uma enorme importância: o nosso voto elegerá os representantes políticos que queremos para os próximos quatro anos em âmbito municipal. Mas, através deles, elegeremos também os melhores projetos de promoção do bem comum e, mais especificamente, da saúde, da educação, do trabalho, da convivência, do ambiente, da cultura, entre outros.

Nas últimas semanas, uma excelente campanha de conscientização, promovida pela justiça federal, veiculada nos meios de comunicação social, chamou a atenção para a importância de um voto consciente e responsável. A mensagem da campanha era esta: “Ou escolhemos bem os nossos candidatos, ou teremos que nos acostumar com os problemas que a nossa má escolha causou”.

O nosso voto é essencial. Mas é importante estarmos também conscientes de que ele é só uma etapa de um longo processo de construção do bem comum, para o bem-estar de todos, com aquela atitude que nós, cristãos, podemos chamar de “caridade política”. O que vem a ser isso concretamente?

Respondendo: a eleição de um candidato não pode ser vista como uma mera delegação que damos a determinadas pessoas para que elas decidam por nós sobre questões relacionadas à vida da cidade e da vila. Com o nosso voto, os eleitos assumem apenas a função de serem representantes da comunidade, de falarem em nome dos interesses da coletividade. Eles só poderão cumprir bem esse papel se o diálogo que iniciamos com eles durante a campanha permanecer vivo depois das eleições. E isso vale tanto para os que foram os nossos candidatos quanto para os outros eleitos.

Esse compromisso de diálogo que o voto estabelece assume uma importância particular nas eleições municipais devido à proximidade que existe entre eleito e eleitores. Elegeremos os prefeitos e os vereadores de nossas cidades: pessoas com quem podemos manter um contato permanente e construtivo e que poderemos acompanhar com a nossa crítica, com as nossas propostas e com as nossas experiências no empenho pelo bem comum. O nosso testemunho de compromisso com o bem da comunidade pode servir de estímulo aos eleitos, para que não se sintam sozinhos no seu árduo trabalho de colaborar na construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Já temos muitos exemplos nessa linha no passado. Que eles continuem no presente e se intensifiquem no futuro. Vale a pena, a decisão de manter o relacionamento com os eleitos durante o mandato de quatro anos. Um relacionamento que poderá produzir resultados impensáveis para o bem de toda a comunidade e para a difusão de uma nova cultura política, sobretudo se for permeado de um verdadeiro espírito de amor fraterno, inspirado no mandamento de Jesus Cristo, nosso Mestre que é caminho certo, verdade segura e vida plena.