Acho engraçado quando as pessoas vêm me perguntar o que são as cotas que foram criadas nas universidades e que tanto se tem comentado, mas nada sabem a respeito. Neste momento, noto a falta de informações que as pessoas têm sobre o assunto, porque na verdade não foram criadas somente cotas nas universidades, e sim foi criado e posto em prática um sistema de cotas no Brasil que busca realizar uma série de correções necessárias em nossa sociedade. Os colegas então me perguntaram que mudanças necessárias seriam estas. A resposta é simples e está disponível para quem quiser vê-la.

Durante quase quatro séculos, de 1500 a 1888, os negros sofreram com a escravidão imposta pelos portugueses e brasileiros, sofreram também os negros livres com as políticas afirmativas promovidas pelos brancos. É interessante observar-se que, mesmo após a Lei Áurea, os negros continuaram sofrendo a discriminação do branco, pois estes não tinham os mesmos direitos que o homem branco, direitos estes de acesso à educação de qualidade, saúde e moradia.

Muitos, ao ouvirem estas justificativas, dizem que se os negros querem estes serviços, que a meu ver são essenciais, deveriam trabalhar para consegui-los. E é neste ponto que se começa a observar o quanto estes têm sofrido com a discriminação, por que mesmo exercendo a função que um branco o negro tem sido historicamente mal remunerado em comparação ao primeiro.

A política de cotas então seria uma forma de promover o equilíbrio e a igualdade de oportunidades em nossa sociedade. Novamente, entramos em um ponto em que as pessoas procuram argumentar afirmando que o Brasil é um país onde não existe racismo e as todas as pessoas têm os mesmos direitos. Mas, como afirmar a não existência do racismo se, apesar de quase metade da população brasileira ser composta por negros e afro-brasileiros, a estes correspondem apenas 2% dos que estão nas universidades.

É importante salientar que não haverá inclusão social em nosso país, igualdade na distribuição de renda ou a diminuição da violência, se não trabalharmos para a inclusão social e racial, por mais que existam aqueles que ainda vêem no sistema de cotas uma espécie de racismo, se pararmos para pensar racismo é o que se vê hoje.

Precisamos fazer como que os brasileiros sejam favoráveis ao equilíbrio e, para isso, é preciso defendermos a política proposta pelo sistema de cotas, pois é um dos meios para se atingir a eliminação do preconceito e da desigualdade social. Não estamos tentando criar vantagens para os negros, pois a política de cotas prevê que todos, para serem aceitos nas universidades, serão obrigados a realizar as mesmas provas e serem aprovados.

A política de cotas nas universidades é apenas o início de um resgate histórico dos direitos adquiridos pelos negros ao longo da história e que até então havia lhe sido negado.
Muitas pessoas são contra a política de cotas por não ter a informação do que essas atitudes representam e das suas conseqüências práticas na representação do poder, nas gestões públicas e na busca pela igualdade de oportunidades, é interessante observar-se que a política de cotas atingiu diretamente privilégios acumulados há séculos na sociedade brasileira pela etnia branca.

Se pararmos para pensar e buscarmos a compreensão da extensão dos racismos no Brasil, entenderemos as necessidades da aplicação das políticas de cotas e chegaremos à conclusão de que essa é uma pequena atitude de um grande conjunto de transformações sociais que o país e nós necessitamos. Necessitamos para o aperfeiçoamento da democracia, sem a qual o país não vai sair do atual estado de agonia, injustiça e desigualdade em que vive. A política de cotas não é um presente para a população negra como muitos têm dito, mas sim uma necessidade para o Brasil.