Maciel Brognoli
Escritor e guarda municipal de tubarão

Nos dias de tempestade, o menino parava diante da janela da sala e, introspectivo, contemplava as gotas de chuva no chão de terra seca. Em sua inocência de menino, ele se perguntava por que a chuva cai sempre em gotas e não tudo de uma vez.

Esse menino chamava-se Rhuan e chegou ao mundo nove anos atrás. E nunca completará dez anos. Foi morto por sua mãe Rosana no dia 31 de maio de 2019, há duas semanas portanto, em Samambaia, no Distrito Federal. Suas inocentes dúvidas pereceram no dia em que a sua genitora lhe desferiu doze facadas. Rosana Auri da Silva Cândido foi além da maldade. Nem a mãe do diabo é capaz de matar os seus!

A mãe esperou Rhuan dormir e desferiu-lhe um golpe de faca nas costas. O menino rolou da cama e caiu no chão. De frente para ele, olhos nos olhos, a mãe deu outras 11 facadas no tórax.

Quem teria ódio do próprio filho de nove anos?

Nem a mãe do diabo!

Para se livrar do corpo, a mãe decapitou-o e cortou em vários pedacinhos. Sua cúmplice e amante acendeu a churrasqueira para transformar em cinzas o incômodo. Mas a fumaça em excesso e o cheiro forte atrapalharam os planos.

Então elas juntaram as partes chamuscadas do corpinho, colocaram numa mala e, na calada da madrugada, jogaram a mala num bueiro. Que mãe seria capaz de cometer essa atrocidade com o filho?

Nem a mãe do diabo!

Dois meninos viram a criminosa abandonar a mala e chamaram a polícia, que a encontrou e prendeu a assassina com sua cúmplice.

Nos depoimentos, descobriu-se que Rhuan sofria há anos. Meses antes do assassinato, num procedimento caseiro, Rosana decepou o pênis e os testículos do menino. Obrigava-o a vestir-se de menina e a manter relações sexuais com a irmã de criação de oito anos. Nunca foi levado ao médico. Não frequentava a escola. O diabo está envergonhado por ter perdido a posição de monstro mais perverso do universo. Rosana ocupou seu lugar.

Você pode estar se perguntando onde estava o pai de Rhuan quando toda essa atrocidade acontecia. No Acre. Rosana fugiu daquele Estado com o menino depois de perder na Justiça a guarda do filho para o pai. Sumiu com ele. Fingia amar para poder dar fim ao seu maior ódio: o próprio filho. E conseguiu. O ódio foi mais rápido que a Justiça.

O inocente Rhuan morreu sem saber por que a chuva cai em gotas.