Tenho por princípio desde que iniciei as atividades na área de comunicação em não refutar na mesmo proporção a nenhuma crítica. Sei como funciona este incrível meio que envolve diretamente a ligação profissional com os cidadãos. Minha formação na educação familiar e escolar foi e sempre será de respeitar as opiniões, porque, a meu ver, cada um possui ponto de vista diferente e isto nos coloca em posição hesitante nos mais variados assuntos quando em discussão. Faço esta descrição para dizer aos inúmeros leitores e contrastantes do artigo “Pessoas e Animais: relacionamento amigável, porém, ameaçador” que jamais afirmei ser o dono da verdade ao escrever sobre tal assunto, obviamente de grande complexidade, e que deve continuar a celeuma pela sua relevância.

Confesso que não tive a intenção de causar impacto e nem constrangimento com o conteúdo exposto na ocasião. Fui bem explícito nas colocações do começo ao fim. Se não me fiz entender, paciência! Neste metamorfósico universo de poucas realidades e muitas ilusões, possivelmente existem os intocáveis e (im)perfeitos, donos do “título vegetariano”, como que em visível demonstração 90% da população não fosse carnívora. Isto mesmo, aqueles que defendem ferrenhamente e não admitem qualquer tipo de supressão animal. Sim, para este grupo, não há criadouros, abatedouros e nem comedouros. Ou seja, é terminantemente proibido matar e degustar qualquer espécie de carne animal.

O presidente da ONG Movimenta-Cão, Sr. Francisco de Assis Beltrame, que respeito muito, escreveu um artigo, basicamente nos mesmos moldes, rebatendo meu posicionamento. Disse textualmente: “Sem sombra de dúvida, a questão dos animais abandonados é alarmante e evidenciamos a problemática não somente em Tubarão, mas em vários municípios da nossa região. Está se agravando e trata-se de um caso de saúde pública e denuncia o descaso e a irresponsabilidade de muitos cidadãos e governantes”. Pois bem, apenas repetiu o que eu havia dito.

Outra parte do texto (dele): “Felizmente há um grupo de pessoas que de forma organizada busca amenizar o problema. Também há um grande número de anônimos, que abrigam em suas casas animais abandonados, cuidam e tentam dar um lar definitivo. E afirma: embora não seja razoável, ameniza”. Igualmente, faz menção a algumas autoridades religiosas e sociais para refletir o fato. Como somos eternos aprendizes do sistema, é bom tomar como referência personalidades que no passado fizeram e deram exemplos de vida, como aquela célebre música do cantor e compositor Eduardo Dusek, gravada lá pela década de 80, com a seguinte letra: “Troque seu cachorro por uma criança pobre. Sem parente, sem carinho, sem rango, sem cobre. Deixe na história de sua vida uma notícia nobre… Tem muita gente por aí que tá querendo levar uma vida de cão, eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor-alemão. Seja mais humano. Seja menos canino. Dê guarida pro cachorro, mas também dê pro menino. Se não um dia desses você vai amanhecer latindo”.

Por fim, embora tenha-se por via legal, pelos altos impostos cobrados, o poder público de gerir providências a qualquer tipo de evento que por ventura venha ocorrer no município, cabe aos cidadãos, também, a responsabilidade de manter em ordem o meio em que dele todos usufrui. Apontar o dedo a quem não causa nenhuma anomalia é querer fugir acintosamente do compromisso moral e social. E reafirmo o que disse, deve-se reorganizar o que nunca foi exigido por lei. Com o comprometimento da sociedade e uma política austera das autoridades, aí sim será o verdadeiro caminho para resolver tal pendenga que flagela diretamente a todos nós. Entendo que as divergências servem tão somente para arrastar ainda mais este grave e circunspecto problema. Quem sabe fazer uma boa reflexão disso tudo não seria o bom começo para se chegar a um acordo dessas múltiplas ideias.