No ritmo que vai, a Copa do Mundo de futebol que ocorrerá no Brasil, em 2014, resultará em graves perdas para os brasileiros, mesmo que vitoriosos em campo. O que dificilmente ocorrerá, com esta seleção, que a dois anos do certame, ainda não tem base e consegue ganhar somente de times periféricos.
 
Em infraestrutura, como se alardeia, é muito pouco para tanto dinheiro público empregado. Fala-se – porque não há transparência – em R$ 12 bilhões, para sobrar esqueletos, como na copa da África. As empreiteiras, a Fifa e outros espertos é que devem fazer a festa. Uma afronta, num país de educação básica entre as piores do mundo (Pisa), de professores fazendo greve para ganhar o piso (não é o teto), da saúde na UTI, da segurança pela hora da morte, da infraestrutura que encarece a produção e do sistema tributário que pune quem produz.
 
Mas o maior prejuízo, dificilmente reversível, está na inversão de valores. Vergonhosamente, esta é a copa do copo de cerveja, da desfaçatez, do lucro de poucos à custa da vida de todos. 
 
Começa com o técnico da seleção de futebol, fazendo propaganda de bebidas alcoólicas na TV e, depois, sendo parado numa blitz e se recusando a fazer o teste do bafômetro. Um péssimo exemplo para quem tem o dever moral de dar bom exemplo. Esporte não combina com bebida alcoólica. Independentemente do resultado em campo, o senhor Mano Menezes seria, em qualquer país sério, convidado a se ocupar de outros afazeres, menos este. Deveria estar no horário nobre ou, pelo exemplo, motivando os jovens  a cultivarem os hábitos que podem levá-los ao pódio ou que os façam bons cidadãos.
 
Continua com a Lei da Copa, que permite a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, quando o Brasil, num colossal esforço, a partir de trágicas estatísticas sobre violência, baniu esta prática.
 
Vale tudo por dinheiro: é a mensagem principal deste evento. Não há valores, não há princípios. Há, tão somente, a busca do lucro a qualquer custo.
 
Quando o que mais mata (bebida alcoólica mata mais que o crack, e outras drogas, segundo o Ministério da Saúde), patrocina o que gera vida (campeonato esportivo), é um indicativo seguro de que está “tudo dominado”, ou quase. 
 
As autoridades deveriam rechaçar de pronto  esta prática, mas, ao contrário, apressam-se, descaradamente, e de forma estapafúrdia, a justificá-las.
 
Copa do Mundo era para gerar expectativas e discussões sobre a melhor seleção, as jogadas geniais, os melhores jogadores, os mais belos gols, o artilheiro, goleiro menos vazado, os milhares de visitantes e empregos gerados, que trazem  encantamento e, são, de fato, referências positivas.
 
Mas, em vez disto, no espetáculo mais visto na terra e, que deveria servir tão somente para o congraçamento entre os povos, a conversa é sobre quem faturará mais, não interessa a forma, e a péssima “herança” que fica. Uma vergonha. Pior: oficial.