“A  medicina não é apenas uma ciência, mas também a arte de deixar a nossa individualidade interagir com a individualidade do paciente”. Tais palavras de Albert Schweitzer – teólogo, músico, filósofo e médico alemão – fazem com que reflitamos a respeito da relação médico/paciente. Essa reflexão se faz necessária para que possamos lutar juntos, de maneira mais efetiva, pela humanização da medicina. Acredito que um médico competente nasce quando um indivíduo, com o intuito de ser um agente de transformação social, decide escolher a carreira médica como profissão. 

Penso dessa forma porque entendo que um médico não pode se restringir a ser apenas um “tratador de órgãos”. Mais do que enxergar órgãos e tecidos, ele precisa agir de forma humanitária, porque, agindo assim, poderá avistar a alma do paciente e, consequentemente, poderá interagir com a individualidade do cidadão que procura um atendimento. Ademais, ninguém vai ao médico por estar com a saúde em dia. Em função disso, por ocasião de uma enfermidade, o paciente, certamente, desejará ser acolhido, e não maltratado.

Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, propostas pelo Ministério da Educação (MEC), o médico, após concluir o curso de graduação, precisa saber interagir adequadamente com seus colegas de trabalho, seus pacientes e seus familiares. Além disso, tais diretrizes exigem que o médico saiba se colocar no lugar do paciente e agir de forma humanitária. Ademais, se o indivíduo optou pela carreira médica, mas evita o contato com as pessoas ou age de forma grosseira em um atendimento, talvez não tenha nascido para compreender a alma alheia. 

Atualmente, não só os pacientes, como também a classe médica e a própria comunidade estão fechando o cerco contra os profissionais que teimam em não exercer a medicina de forma adequada e responsável. Prova disso foi a recente revolta, nas redes sociais, contra o médico Guilherme Capel Pascua que debochou de um paciente em virtude da linguagem adotada pelo mesmo, quando procurava atendimento. Tal fato repercutiu pelo país inteiro. Para que a medicina, portanto, torne-se cada vez mais humana, faz-se necessário que os médicos estejam cada vez mais próximos da comunidade. Isso porque, para desenvolver uma boa relação médico/paciente, mais do que olhar nos olhos do paciente, é preciso que o médico saiba compreender a alma do indivíduo que procura um atendimento.