Estudei filosofia durante um ano, na Universidade Católica de Pelotas, como condição para ingressar no curso de teologia da PUC-RS. Identifiquei-me com a filosofia positivista, de Comte, e com a dialética positivista dos conflitos, de Marx, o que me levou, depois, para a sociologia. No curso de filosofia, encantei-me com a lógica, e tirei até notas boas. Interessantíssimo o silogismo, lógico, de Aristóteles. De duas premissas, chega-se, por dedução, a uma conclusão, lógica.

Vejamos um exemplo bem simples: Todo homem é mortal (premissa maior); Pedro é homem (premissa menor); logo, Pedro é mortal (conclusão lógica). A lógica de Aristóteles é teórica e prática, fática. Vejamos outro exemplo. Em Tubarão, lemos no Notisul que o ex-prefeito Carlos Stüpp afirmou que a questão das certidões negativas de débito, condição para assinatura de convênios, era, digamos, intriga da oposição. Dizia que a falta de verbas do governo do estado era desinteresse do governador, que, por sua vez, dizia estar de mãos amarradas porque a prefeitura de Tubarão não tinha as tais certidões negativas de débito. O governador dizia uma coisa e, o ex-prefeito, outra.

Bem, para a surpresa geral, uma das primeiras ações do novo prefeito, Manoel Bertoncini, do mesmo partido de Carlos Stüpp, foi quitar várias dívidas do município, parcelar outras, para poder obter as tais certidões negativas de débito. Ora, o novo prefeito fez muito bem em começar a resolver tal problema, para o bem da cidade, para poder captar recursos. Mas isso gerou um inevitável desconforto político, efeito colateral em forma de respingo nas declarações do ex-prefeito sobre as certidões negativas de débito. É aqui que emerge a força reveladora da conclusão lógica, manifestada por meio da dança das premissas: o ex-prefeito Carlos Stüpp disse que não havia o problema das certidões negativas de débito (premissa maior); o novo prefeito Manoel Bertoncini está quitando as dívidas para obter as certidões negativas de débito (premissa menor); logo, Stüpp mentiu (conclusão lógica).

A minha observação não tem motivação ideológica, nem pessoal, sentimental. É observação sociológica, profissional, racional. Como cidadão, penso que a cidade tem direito a uma resposta racional, esclarecedora, sobre esse tema específico. A contradição foi revelada pelas boas ações da nova gestão em relação à quitação das dívidas, mas ainda não foi explicada à cidade pelo antigo gestor, que dizia uma coisa que, segundo a lógica racional das premissas, não correspondia à verdade dos fatos, o que, tecnicamente, significa mentir (segundo o dicionário Aurélio).
A cidade tem direito a um esclarecimento, e o ex-prefeito, caso queira, no futuro, disputar votos novamente, necessita, politicamente, de tal esclarecimento.

Nota – Aos leitores de meus Contrapontos e artigos em Opinião: ultimamente, não tenho conseguido publicar as belíssimas opiniões dos leitores. Recebo vários elogios, e-mails de apoio e críticas. Para minha felicidade, também as críticas são manifestadas com respeito e educação, de forma racional, por meio de argumentos. Meu muito obrigado aos leitores do Notisul que se prontificam a abrir o computador para entrar em contato com este articulista.