Júlio César Cardoso
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Recentemente, fortes críticas vem caindo sobre a reforma do ensino médio brasileiro, projeto anunciado pelo Ministério da Educação do governo Michel Temer. Apesar das divergências apresentadas pelos críticos, é importante salientar o ponto positivo de se conversar sobre o tema no país, porque é a educação, sem dúvida nenhuma, o melhor investimento de verbas públicas que pode haver em uma nação. Uma população bem estudada trará sempre benefícios para o Estado. O que preocupa, de fato, é o desenho que está se formando com a reestruturação nas disciplinas da escola no Brasil.

Sob o ponto de vista do ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, a juventude precisa e deseja esta reforma, que visa um aumento de horas anuais para o ensino médio, além de alteração na grade curricular, que permitirá que o aluno escolha, a partir de determinado ponto, uma área de especialização. Outro passo do projeto é a possibilidade de contratar professores sem curso, e sim por notório saber, para atender cursos técnicos. Essa escola que está sendo desenhada hoje é pequena, que busca atender apenas a indústria do resultado. O que a juventude precisa e busca, e se vê isso nos protestos que acontecem no país, é uma boa escola, com bons professores. O problema da qualidade das instituições e da falta de interesse dos estudantes na aprendizagem não é consequência do número excessivo de disciplinas, como argumenta o ministro Mendonça Filho e sua equipe. O motivo da educação não estar interessante no ensino médio não é a física, química, história e geografia, que deixa pesado a grade curricular do estudante, o que pesa é a mediocridade dos cursos e a falta de preparo do docente, que muitas vezes não tem o apoio necessário para desempenhar seu papel em sala de aula. Diminuir as matérias que os alunos precisam estudar e deixar que eles decidam a própria grade curricular, baseados na escolha profissional, é ceder ao jogo do imediatismo, ao jogo do mercado. Ao chegar ao final do ensino médio, o estudante ainda tem que passar pela graduação, que deve durar entre quatro e cinco anos, o que torna a pedir para a escola prepará-los para o campo profissional de uma urgência pequena. A função da escola não é educar para o mercado, mas sim para a vida. Tem o papel de ser um espaço que fará o estudante se encontrar e situar-se no mundo. Eis a importância da filosofia, da sociologia, da história e geografia, como também conhecer a física, química e biologia, além de português e matemática. E com todas essas disciplinas, discutir sobre a realidade, aprender e refletir.

Então o cerne da questão se volta para o professor, e não para o modelo, e tão pouco para o currículo atual das escolas. Este, personagem central nesta trama, é o responsável por tornar os conhecimentos atrativos. O saudoso Rubem Alves foi muito feliz em criar um paralelo entre a educação e a gastronomia, pois não se come ferro e proteínas, mas se come uma boa carne temperada, um bom feijão gostoso e apetitoso. Atrás dos pratos vêm os componentes nutricionais.